O presidente do PT do Paraná, o deputado estadual Arilson Chiorato, apresentou uma notícia de fato à PF (Polícia Federal) para apurar a atuação do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) por suposto favorecimento do banco Master. Barros é candidato ao Senado pelo Paraná.
O parlamentar tinha acionado, em junho, a superintendência da PF no Paraná, mas o processo não andou.. Agora, protocola o pedido, em Brasília, já que Barros tem foro privilegiado.
O pedido leva em consideração atuações de Barros na Câmara dos Deputados que podiam beneficiar o banco de Daniel Vorcaro. O mais emblemático foi um projeto de lei que buscava aumentar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
O texto era o mesmo que a emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) apontada pela PF como a “emenda Master” que teria sido articulada e escrita pelo próprio banco.
A suspeita é que Barros faria parte do chamado “Projeto DV” – campanha de desinformação orquestrada por Vorcaro com contatos do meio político e influenciadores.
Outra acusação é que, como presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o deputado apresentou requerimentos para convocar o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo e o da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), João Pedro Nascimento, para depor no colegiado – mesmo sem relação com o tema.
“Uma comissão vocacionada a relações exteriores e defesa nacional converteu-se, em curto intervalo, em foro de escrutínio de decisões regulatórias internas que afetavam diretamente os interesses de uma instituição financeira específica em crise”, disse o deputado petista em ofício à PF.
Diante das informações, o deputado estadual do PT pediu que a PF apure se instrumentos do mandato parlamentar foram eventualmente usados para atender interesses privados.
A notícia de fato também pede a apuração de eventual atuação coordenada com o então deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a investigação sobre possíveis contrapartidas financeiras.
O documento pede diligências para identificar a origem das minutas legislativas e se houve contato com representantes do Banco Master.
Chiorato diz que não quer violar a imunidade parlamentar de Filipe Barros, mas proteger o uso do benefício de eventual prática de crimes.
“Imunidade material não imuniza condutas que, sob a aparência de atos legislativos, constituam meio de execução de crime, notadamente a solicitação ou o recebimento de vantagem indevida, o patrocínio de interesse privado perante a Administração ou a lavagem de capitais”, afirmou.
Em nota, o deputado bolsonarista disse que a investigação será um “tiro no pé” porque poderá revelar outros nomes de petistas que tinham relações íntimas com Vorcaro.
Ele evitou esclarecer a atuação na Câmara apontada como suposto benefício ao Mastr e disse que, na verdade, fio o primeiro a denunciar o banco à PF, à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao TCU (Tribunal de Contas da União).
“Enquanto isso, a Gleisi [Hoffman] e o Enio Verri frequentavam a mansão do lobby do Master em Brasília, tentando fazer negócio entre o banco do Vorcaro e a Itaipu. Enquanto o PT manteve diálogos cabulosos com bandidos, eu trabalhei para colocá-los na cadeia”, disse o deputado à coluna.
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Fonte ==> Folha SP

