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MERCADO DE AÇÕES

risco de R$ 77 blhões para o PIB brasileiro

risco de R$ 77 blhões para o PIB brasileiro

Reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas e pôr fim à escala 6×1, proposta de emenda constitucional (PEC) que está em tramitação na Câmara, é apresentado pelo governo como solução para melhorar a qualidade de vida do trabalhador. Mas estudos de entidades empresariais e institutos de pesquisa apontam um cenário oposto: desemprego em massa, inflação e renda comprometida. Falta de produtividade é o problema real Segundo Virgílio Marques dos Santos, sócio da startup paulista FM2S, sediada no parque tecnológico da Unicamp, a PEC trata a redução de jornada como solução completa para um problema mais profundo: a baixa produtividade do mercado de trabalho brasileiro. “O problema não está apenas na quantidade de horas trabalhadas. Está também na falta de ferramentas, gestão eficiente, capacitação e infraestrutura adequada”, afirma. O Brasil ocupa a 94ª posição entre 184 países no ranking de produtividade, gerando apenas US$ 21,2 por hora trabalhada, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Ainda assim, as propostas em debate no Congresso deixam o debate sobre a produtividade de lado.  Dados do relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, reforçam a questão: apenas 20% dos trabalhadores no mundo estão engajados no trabalho. Para Santos, o debate ignora problemas de liderança e gestão organizacional. “Reduzir horas sem enfrentar essas bases tende a produzir efeitos limitados”, afirma. Quem não será afetado e por quê Além da produtividade, a informalidade também é um fator decisivo no cenário nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 38,1% dos trabalhadores brasileiros estão fora do regime CLT — o que exclui cerca de 40 milhões de pessoas dos efeitos diretos da medida. Entre os trabalhadores formais, porém, o cenário econômico pode limitar o impacto da medida sobre a qualidade de vida. “Com o alto endividamento das famílias e a pressão constante sobre a renda, existe uma tendência de que o tempo livre adicional seja convertido em renda complementar, e não necessariamente em descanso”, afirma Santos. Dados da Serasa de abril de 2026 reforçam o ponto: 83,3 milhões de pessoas — 50,8% da população adulta — estão negativadas, limitando sua capacidade de aproveitar o tempo livre sem pressão financeira. Governo e Câmara divergem sobre prazo e custos O debate sobre a redução de jornada é acirrado, com divergências entre governo e Câmara. O relator Leo Prates (Republicanos-BA) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendem uma transição de três anos. O governo, porém, quer encurtar esse prazo e discute regras para horas extras na transição. A proposta de Prates e Motta prevê redução escalonada: uma hora após 120 dias da promulgação, e as demais em intervalos anuais, até completar a transição para a jornada de 40 horas. Há também preocupação com categorias que atualmente trabalham menos de 40 horas semanais e poderiam ter aumento de carga horária — uma questão que afeta principalmente setores como turismo e hotelaria. R$ 77 bilhões em perdas: o custo da medida Os números revelam um cenário econômico desafiador. A redução de jornada impõe custos imediatos às empresas e pressões inflacionárias ao consumidor. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução de jornada de 44 para 40 horas, sem redução de salários, resultaria em uma perda anual de 0,7% do PIB — aproximadamente R$ 77 bilhões. A indústria seria a mais afetada, com queda de 1,2% no PIB setorial, seguida pelo comércio (0,9%) e serviços (0,8%). O custo total para as empresas pode chegar a R$ 267,2 bilhões anuais, representando um aumento de até 7% na folha de pagamentos. O presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou que a medida deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país e o impacto diferenciado sobre empresas de diferentes portes. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) afirmou que, sem redução proporcional de salários, o custo do trabalho aumentaria 22% — impacto que seria repassado ao consumidor final. A Frente Parlamentar da Agropecuária calcula que o custo da mão de obra no campo aumentaria no mesmo percentual (22%). Segundo a CNI, esse aumento de custos se refletiria em inflação nos supermercados, com alta de até 5,7% nos preços dos alimentos — impacto direto no orçamento das famílias de baixa renda. Até 2,7 milhões de empregos em risco O impacto não se limita aos preços. A medida também ameaça postos de trabalho, especialmente em micro, pequenas e médias empresas que operam com margens apertadas. O Centro de Liderança Pública (CLP), think tank liberal, divulgou em fevereiro de 2026 um estudo sobre o tema. O relatório reconheceu que a redução de jornada pode ser desejável do ponto de vista do bem-estar, mas alertou: em um ambiente de baixa produtividade, o custo de transição seria proibitivo. Segundo o CLP, caso a jornada seja reduzida para 40 horas sem redução salarial, o custo do trabalho por hora sobe automaticamente. O estudo aponta que grandes empresas poderiam absorver o aumento por reorganização interna e mudanças tecnológicas, mas pequenas e médias enfrentariam compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala — com risco de corte de até 640 mil postos de trabalho. Um estudo mais recente da CNI projeta cenário ainda mais grave: perda de até 2,7 milhões de empregos formais. “Grandes corporações têm margem para absorver o aumento de custos, mas as menores operam com margens apertadas. Muitas não sobreviveriam”, afirma João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Economia pode encolher mesmo com ganhos de produtividade Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), um cenário ainda mais radical — redução para 36 horas — resultaria em contração de 6,2% nas horas trabalhadas e queda equivalente na riqueza gerada pelo país. O pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho vai além: se o aumento do custo do trabalho reduzir a demanda por mão de obra e a produtividade não crescer o bastante para compensar, a riqueza gerada poderá cair mais de 10%. Ele refuta a ideia de