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como o Brasil se saiu bem na guerra comercial

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Poucos antecipavam esse desfecho na sexta-feira (20). Uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas de Trump — e o Brasil saiu como o maior beneficiado entre os 20 principais parceiros comerciais americanos. A redução média nas sobretaxas sobre as exportações brasileiras chegou a 13,6 pontos percentuais, segundo a Global Trade Alert (GTA), plataforma de monitoramento de comércio exterior. Mesmo a reação de Trump ao revés judicial, com o anúncio de tarifas globais de 10% ou até 15%, não tirou do Brasil o título de maior favorecido. Isso porque essa nova taxação, que entrou em vigor nesta quarta, afeta todos os países igualmente. Dessa forma, o exportador brasileiro não perderá competitividade em relação a concorrentes. O julgamento era aguardado com expectativa — a maioria conservadora da Suprema Corte sinalizava uma possível vitória de Trump. “O resultado representa um revés significativo para o presidente e mostra que o Executivo não tem carta branca para impor tarifas”, avalia Raphael Bulascoschi, analista da StoneX. Os efeitos foram imediatos: o real se valorizou, a Bolsa bateu recordes — e o mercado americano voltou a ser uma opção concreta para os exportadores brasileiros. Suprema Corte dos EUA barra tarifas de Trump e muda regras do jogo A Suprema Corte decidiu, por seis votos a três, que Trump extrapolou seus poderes ao usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA) para impor tarifas globais — uma lei criada para crises de segurança nacional, não para disputas comerciais. O argumento central foi que medidas com impacto econômico desta magnitude exigem aprovação do Congresso. O presidente da Corte, John Roberts, afirmou que o governo não conseguiu demonstrar essa base legal — e a decisão foi contra Trump. A Casa Branca recorreu a outra lei — a Seção 122 do Trade Act de 1974 — para fixar uma tarifa global de 10%, que, no sábado (21) foi elevada para 15%. O novo instrumento é mais limitado: vale por apenas 150 dias e não permite alíquotas acima desse patamar, ao contrário da IEEPA, que abria espaço para taxas de 40% ou até 100%. Na prática, porém, a tarifa que passou a vigorar nesta terça-feira (24) foi de 10%. O serviço de alfândega americano informou que essa será a alíquota inicial para todos os países, salvo exceções. A elevação para 15% depende de uma ordem separada que Trump ainda deverá assinar — sem data definida, segundo a NBC. “A decisão acabou com a tributação por decreto e derrubou a incerteza que afastava investidores do país”, avalia Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos. O impacto do tarifaço e a resiliência das exportações brasileiras O tarifaço cobrou seu preço. As exportações brasileiras para os EUA recuaram 6,7% em 2025, para US$ 37,7 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) — foram seis meses consecutivos de queda até janeiro. O Brasil reagiu redirecionando vendas para outros mercados e fechou o ano com US$ 348,3 bilhões exportados — o maior valor desde o início da série histórica, em 1997. Com a redução das barreiras americanas, os exportadores brasileiros voltam a disputar espaço no maior mercado do mundo em condições mais favoráveis. Para Verônica Cardoso, diretora da LCA Consultoria Econômica, a postura do governo brasileiro foi mais estratégica do que parece. “Não é que o Brasil não negociou — ele simplesmente recusou fechar um acordo que não fazia sentido para nenhum dos dois lados. Uma retaliação teria sido muito mais prejudicial para o Brasil do que para os Estados Unidos”, afirma. O resultado confirmou a aposta. Em julho de 2025, Trump anunciou o tarifaço de 40% — e o Brasil recusou ceder sob pressão. Washington respondeu com isenções significativas, ampliadas em novembro após conversa entre Lula e Trump. A decisão da Suprema Corte, em fevereiro de 2026, encerrou o ciclo. Setor por setor: quem ganha com o fim das tarifas de Trump Sob as regras da IEEPA, as tarifas sobre produtos brasileiros chegaram a 35% em setembro de 2025. Com a adoção da alíquota de 15%, o GTA estima queda média de 13,6 pontos percentuais — a maior entre os 20 principais parceiros comerciais dos EUA. Segundo a CNI, a redução das sobretaxas beneficia cerca de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras. “O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo”, destaca Ricardo Alban, presidente da entidade. Verônica Cardoso, porém, pede cautela na leitura dos números. “Não é que a gente está sendo beneficiado. A gente está tendo um aumento de tarifa em relação ao pré-tarifaço. O que muda é que agora todo mundo paga esse 15% adicional — então, em termos de competitividade, a gente não perde”, explica. Ela lembra ainda que o dado da CNI mede o volume da pauta afetada, não o que de fato chegará ao mercado americano. Os setores mais beneficiados são: Agronegócio e alimentos: com tarifas menores, o Brasil reforça sua posição como fornecedor estratégico para um mercado americano pressionado pela inflação. Indústria: produtos brasileiros chegam ao mercado americano mais competitivos em preço frente aos concorrentes globais. Isenção total: combustíveis, carne bovina, café, celulose, suco de laranja, aeronaves e minerais críticos ficaram fora do adicional de 15% — itens que representam, segundo Verônica Cardoso, mais de 60% das exportações brasileiras para os EUA. Há, porém, um risco no horizonte: uma eventual reaproximação comercial entre EUA e China pode reduzir a demanda asiática por soja e carne brasileiras — mercados que cresceram justamente durante a guerra tarifária. Analistas da seguradora de crédito Allianz Trade, apontam que, no momentom é fundamental para o Brasil diversificar os mercados de exportação e ampliar presença em outros mercados, como o asiático. Nem tudo está resolvido nos negócios com os Estados Unidos. As tarifas sobre aço e alumínio — impostas por razões de segurança nacional e que podem chegar a 50% — seguem em vigor. Investigações sobre práticas comerciais brasileiras também continuam abertas e podem resultar em novas restrições. Como a decisão da Suprema Corte sobre tarifas de Trump afeta o Brasil Para Simioni, a decisão também protege