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MERCADO DE AÇÕES

Mesmo com avanço tecnológico, setor aponta limites para compensar impactos do fim da escala 6x1 no campo.

Agro seria um dos setores mais afetados com fim da escala 6×1

Aposta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ganho de capital político junto à sua base eleitoral, o fim da escala 6×1 geraria um choque de custos estrutural imediato ao agro brasileiro. Se a transição ao novo modelo sugere um impacto absorvível para determinados setores da economia, para o setor rural a mudança exigiria uma reorganização forçada com potencial de afetar a competitividade das exportações e respingar em uma conta bilionária para a inflação de alimentos. A obrigatoriedade de dois dias de descanso semanais está prevista na proposta de emenda à Constituição (PEC) 8/2025, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), com previsão de entrada em pauta na Câmara dos Deputados em maio, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em movimento liderado pela Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) junto com a Coalizão de Frente Produtivas, parlamentares têm pedido que a discussão ocorra sem precipitação e com a participação dos diferentes setores. VEJA TAMBÉM: Relator da PEC sobre fim da escala 6×1 alerta para risco de impacto no emprego A diferença entre as dinâmicas da economia urbana e os ciclos climáticos e biológicos do campo explica como a redução na escala de trabalho afetaria a agropecuária de forma distinta aos demais ramos da atividade econômica. Segundo dados da FPA, na produção de etanol a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais geraria aumento de custo entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, devido à necessidade de novas contratações. No setor de proteína suína e avícola, o impacto pode chegar a R$ 9 bilhões e, em cooperativas agroindustriais, a R$ 2,5 bilhões, segundo a frente parlamentar. Quase 97% dos empregos formais no agro seriam afetados com fim da escala 6×1, diz Ipea Nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, aponta que a extinção da jornada 6×1 terá impacto considerado baixo para um contingente de aproximadamente 13 milhões de trabalhadores alocados em setores específicos, onde o custo de readequação das operações gravitaria em torno de 1%. No setor rural e nos serviços diretamente relacionados, porém, 96,6% dos vínculos formais seriam diretamente afetados pela nova regra. O porcentual representa mais de 1,5 milhão de trabalhadores que precisariam ter suas escalas readequadas, o que geraria um aumento imediato de 9,6% no custo da hora trabalhada, sem aumento de produtividade. Diferentemente de empresas no setor de tecnologia ou comércio de alto valor agregado, nos quais um ganho de eficiência marginal pode compensar a redução de horas de trabalho, o campo tem elasticidade muito menor, avaliam os autores do estudo. Os ciclos de plantio e colheita dependem de máquinas em operação contínua, e animais confinados exigem manejo diário. A consequência matemática desse engessamento, segundo os técnicos do Ipea, seria o fechamento de cerca de 28 mil vagas na agropecuária em curto prazo. Estudo preliminar do próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apresentado no último dia 10 na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara mostra que a agropecuária, a construção e o comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%, bem acima da média geral (4,7%). Setores de transporte aquaviário e da indústria de alimentos sofreriam ainda mais, com elevação de despesas estimada em 10,5%. De acordo com o chefe da pasta, Luiz Marinho, o estudo ainda está sendo elaborado, e os setores poderão participar da mensuração dos impactos. “Nós estamos abertos para sentar com a bancada de empregadores de todos os setores da economia, inclusive, para aprofundar cada setor qual o tamanho do impacto que deve ter”, disse. No Paraná, fim da escala 6×1 custaria R$ 4,1 bilhões por ano ao agro Estudos realizados por entidades locais do setor mostram como os impactos atingiriam as atividades em que se especializaram as diferentes regiões do país. O Departamento Técnico e Econômico (DTE) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) calculou que a jornada de 36 horas, conforme prevê a PEC 8/2025, custaria ao agronegócio paranaense R$ 4,1 bilhões por ano. Para preencher o “vácuo operacional” e impedir que frigoríficos parem ou lavouras apodreçam, o estado necessitaria de 107 mil novas contratações apenas para manter o atual nível de produção. A avicultura e a suinocultura concentram a maior fatia desse custo (R$ 1,72 bilhão ao ano), devido às operações de múltiplos turnos e ao manejo contínuo. “O acréscimo representa uma pressão direta sobre a rentabilidade do produtor rural, que já convive com custos e juros altos, falta de mão de obra e endividamento climático”, avalia Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep. VEJA TAMBÉM: Impactos do fim da escala 6×1 preocupam agro do Paraná e acendem alerta nacional O Paraná é líder nacional na produção de frangos de corte, respondendo por um terço dos abates do país. E o rebanho suíno do estado representa 16,6% do total, segundo a pesquisa Produção da Pecuária Municipal 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Minas Gerais, custo de mão de obra na pecuária leiteira subiria até 80% com fim da escala 6×1 Em Minas Gerais, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faemg) projeta que o custo da mão de obra por litro de leite produzido em pequenas propriedades pode saltar até 80%. Vacas exigem ordenhas diárias regulares e não obedecem a pausas de fim de semana. A contratação de folguistas elevaria os custos a um patamar incompatível com as margens atuais. O estado é o maior produtor de leite do país, com cerca de 9,3 bilhões de litros por ano – 27% da produção nacional, segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). A atividade é desenvolvida em quase todos os 853 municípios mineiros, sendo uma importante fonte de renda para milhares de pessoas, principalmente agricultores familiares. No quadro macroeconômico mineiro, a federação das indústrias do estado (Fiemg) alerta que a redução abrupta sem contrapartida de produtividade tem potencial de derrubar o PIB nacional em até 16%, com risco a 18 milhões