CVM ignorou denúncias de irregularidades envolvendo o Master

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é o órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais do Brasil, teria ignorado denúncias recebidas desde 2022 sobre indícios de irregularidades nas operações do agora liquidado Banco Master e de fundos de investimentos ligados a ele. Ao todo, foram recebidas cerca de 60 denúncias, algumas delas feitas de forma anônima e consideradas inverosímeis ou não foram adiante por falta de pessoal para apurá-las.

Apurações da Gazeta do Povo com fontes a par da discussão e do UOL publicada nesta sexta-feira (7) aponta que muitas dessas denúncias apontavam manipulação de balanços do Master pelo agora ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, reavaliação de “ativos podres” em fundos fechados e que a conta de toda a fraude recairia ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como efetivamente ocorreu após a liquidação das empresas ligadas ao conglomerado gerando um prejuízo de R$ 57 bilhões.

Algumas das denúncias anônimas teriam sido feitas diretamente ao FGC e, posteriormente, encaminhadas à CVM, que deveria apurá-las e tomar providências contra o conglomerado de Vorcaro. “O mencionado arquivamento da denúncia sob o fundamento de ter sido anônima e inverossímil, sem instauração de apuração, é atualmente objeto de avaliação na Corregedoria da CVM, estando em processo de análise nesse momento”, disse o órgão ao UOL.

A Gazeta do Povo procurou a CVM para se pronunciar sobre a apuração e aguarda retorno. Já o FGC informou à reportagem que não comentará as informações.