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Controlada pela Cambuci, a Penalty, marca de produtos esportivos, retornará à Argentina em 2027 após sair do mercado em 2024 devido a incertezas econômicas.
O principal motivo para a volta é a reforma trabalhista do presidente Javier Milei, que permite uma jornada de 48 horas semanais, tornando o custo de produção na Argentina mais atrativo que no Brasil.
Inicialmente, a empresa importará produtos de suas fábricas brasileiras, com planos de estabelecer uma fábrica própria em 2028.
A Penalty já representou 10% da receita total da empresa no auge de sua operação na Argentina. O mercado argentino, com 46 milhões de habitantes apaixonados por esportes, é visto como um grande potencial consumidor.
Além da Argentina, a Penalty considera expandir para o Paraguai em um futuro próximo. No Brasil, a empresa enfrenta desafios com o aumento de custos devido a mudanças na jornada de trabalho, de 44 horas para 40 horas semanais.
A Penalty planeja um investimento de R$ 30 milhões em novas tecnologias e maquinários.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Após sair do mercado argentino, em 2024, por causa das incertezas econômicas do país à época, a Penalty, marca de produtos esportivos controlada pela companhia Cambuci, decidiu voltar para a terra de Lionel Messi. A partir de 2027, a empresa retoma sua operação na Argentina.
O principal argumento para explicar a volta está na questão trabalhista. Enquanto o Brasil caminha para permitir a redução da jornada de 44 horas para 40 horas, o presidente argentino Javier Milei conseguiu aprovar recentemente sua reforma no setor, que amplia o período de trabalho para até 48 horas semanais.
“Já está no nosso plano este retorno, levando em conta a manutenção da política que está sendo implementada lá. As medidas que foram tomadas pelo governo são muito interessantes e o país vai alavancar”, diz Roberto Estefano, presidente do conselho da Cambuci e fundador da Penalty, em entrevista ao NeoFeed.
Segundo ele, com esta mudança, o custo de produção na Argentina ficará menor do que no Brasil e fará com que o mercado local volte a ser atrativo para as companhias.
“Somos um país em desenvolvimento. Não estamos no primeiro mundo. Há uma regra, que sempre funciona, que é quem trabalha mais, ganha mais. Não tem conversa. China e Vietnã, que trabalham muito, estão crescendo. E o Brasil vai na direção contrária. Isso é um tiro no pé”, afirma o empresário.
Inicialmente, segundo o chairman, a entrada será por meio da importação de produtos a partir das três fábricas brasileiras da companhia, duas na Bahia e uma na Paraíba.
Com a consolidação da retomada, a tendência é de estabelecer uma fábrica própria no país – mas isso possivelmente em 2028. Isso envolve a fabricação de calçados e de bolas, um dos principais produtos da companhia em termos de volume e receita.
No auge do período em que esteve no país vizinho, a Penalty chegou a contar com 10% da receita total vinda do mercado argentino. Na época, a empresa tinha uma produção terceirizada e importação de produtos acabados no Brasil.
“Uma vez que há mercado livre na Argentina, por causa do Mercosul, o foco inicial, nesta retomada, é mesmo mandar os itens para lá, a partir da nossa própria operação. Mas teremos condições de ter uma fábrica na Argentina para ser bem competitivo no mercado local”, afirma Estefano.
O plano é que, a partir do retorno ao país, a Cambuci consiga fazer com que o mercado argentino volte a representar entre 10% e 12% do faturamento total. Hoje, a empresa tem apenas um distribuidor na Argentina, o que representa um volume pequeno da receita.
Um ponto que conta a favor deste caminho de volta é que a maior parte da população da Argentina, que hoje tem 46 milhões de habitantes – semelhante à do estado de São Paulo –, é apaixonada por esporte, especialmente futebol. O que os coloca como grandes potenciais consumidores dos produtos da Penalty.
“Até no rugby, esporte que não existe na América Latina, eles são uma potência. Também amam tênis. Fora os times nacionais e a própria seleção argentina de futebol. Está no DNA deles. Não dá para ignorar este mercado”, diz o fundador da marca brasileira.
Ainda que o foco agora seja justamente a volta à Argentina, o fundador da Penalty não descarta também, logo na sequência, pensar na expansão para o Paraguai, a exemplo do que vêm fazendo diversas empresas, como Lupo, do setor têxtil, e a Be8, do segmento de biocombustíveis.
A empresa chegou a ter uma unidade no país, voltada à indústria de confecção, com matéria-prima vinda da China. Mas, segundo ele, a linha de produção enfrentou dificuldades na correção de cores e tecidos. Assim, a fabricação voltou para o Brasil.
“O Paraguai é, sim, uma alternativa. A mão de obra por lá é boa e produtiva. Impostos são menores e a energia elétrica é mais barata. As empresas brasileiras que estão indo para lá estão satisfeitas”, afirma Estefano. Mas isso só deve acontecer em pelo menos dois ou três anos. “É um caminho futuro.”
Mais mão de obra no Brasil
No Brasil, segundo Estefano, o desafio é lidar com o impacto do aumento de custos a partir deste novo modelo de jornada, defendido pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A medida foi aprovada pela Câmara dos Deputados por larga vantagem e agora está tramitando no Senado, ainda sem prazo para votação.
“Com o aumento de custo, muita gente vai pensar na possibilidade de importar e deixar de produzir no Brasil. Esta mudança aumenta 10%, diretamente, o custo da mão de obra. E já não temos uma produtividade no nível internacional”, afirma Estefano.
A Penalty tem cerca de 2,5 mil funcionários e, segundo o presidente do conselho de administração, a empresa já opera no modelo 5×2, distribuindo, durante a semana, o horário que seria para o sábado.
“Não compensava ligar compressores, caldeiras, para uma jornada de só quatro horas. Então, fizemos acordo e aumentamos o período de trabalho na semana”, explica ele. Mas, com a mudança, vai ser necessário mudar o modelo, o que pode significar mais contratações. E mais custo.
Do volume de produtos da Penalty, somente as bolas de futebol representam 40% do total. Calçados somam 30%, e a confecção, os demais 30%. Por ano, a empresa fabrica três milhões de bolas, que vêm da Bahia.
Por ano, a companhia planeja um capex de R$ 30 milhões, que envolve o desenvolvimento de novas tecnologias em bolas e roupas, e novos maquinários. “Mesmo com os juros altos, temos que investir. Não dá para ficar parado. E a empresa tem caixa para isso.”
Ainda que considere ser difícil alcançar, justamente por causa destes desafios, Estefano ainda acredita em um crescimento de 10% na receita em 2026. No ano passado, a empresa fechou com R$ 383,1 milhões.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou receita líquida de R$ 99,2 milhões, alta de 1,3% sobre a mesma base do ano anterior. O lucro líquido, de R$ 19,7 milhões, cresceu 3,1%. O Ebitda, no entanto, apresentou recuo 12,4%, e alcançou R$ 20,5 milhões.
No acumulado de 2026, as ações CAMB3 na B3 registram queda de 3,2%. O valor de mercado da controladora da Penalty é de R$ 408 milhões.
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Fonte ==> NEOFEED