Cadeia da soja pode deixar mais renda no mercado interno – 07/05/2026 – Vaivém

Cadeia da soja pode deixar mais renda no mercado interno - 07/05/2026 - Vaivém

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja. O rendimento da oleaginosa para a economia e para o PIB (Produto Interno Brasileiro) poderia ser bem maior internamente do que ocorre. O PIB gerado por tonelada de soja produzida e exportada foi de R$ 1.862 em 2025. Se essa mesma soja tivesse sido processada internamente, a geração de PIB teria sido de R$ 7.608 por tonelada.

Olhando os números da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) deste ano, o Brasil produz 178 milhões de toneladas e exporta 114 milhões. O processamento interno, que poderia gerar uma aceleração maior da economia nacional, fica em 62 milhões, 10 milhões abaixo da capacidade instalada.

Os dados de 2025 apontam que, para cada tonelada de soja processada, o país obteve um PIB correspondente a 4,09 vezes o gerado pela soja produzida e exportada diretamente, diz Nicole Rennó, pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Esse ganho da soja processada, que leva em consideração o processo industrial em outros segmentos da cadeia, como o biodiesel e a indústria de ração, é muito alto, diz Nicole.

A pesquisadora, que chama esse efeito de multiplicador, afirma que uma elevação do processamento interno geraria muito mais PIB, uma vez que essa cadeia é ampla. O efeito multiplicador não fica apenas na indústria, mas tem o mesmo potencial no setor de emprego. “Quando geramos mais PIB, multiplicamos também o potencial da geração de emprego e, por consequência, a renda no trabalho, que se espalha pelo interior do país”, diz ela.

A elevação do processamento não traria apenas efeitos internos, mas também no comércio exterior, segundo Daniel Furlan, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove. O Brasil tem atualmente uma capacidade de processar 72 milhões de toneladas de soja, mas utiliza apenas 62 milhões. O aumento desse processamento de mais 10 milhões de toneladas geraria 8 milhões de toneladas de farelo e 2 milhões de toneladas de óleo de soja.

“Só esses 2 milhões de toneladas de óleo seriam suficientes para o B16 e B17, além de permitir elevar o patamar de exportação”, diz Furlan. O diretor da Abiove diz que o óleo tem uma série de aplicações, além do biodiesel, e que o aumento da oferta de farelo reduziria os preços da ração e, consequentemente, traria custos menores para a produção de carnes. O país poderia exportar mais e reduzir preços internos, afirma.

A participação do óleo de soja aumenta também nos biocombustíveis. Além do biodiesel, o óleo de soja poderá estar no SAF (combustível para aviação), HVO (diesel verde) e combustível marítimo, criando uma cadeia de biocombustíveis a partir de óleos vegetais.

Cepea e Abiove divulgaram, nesta quinta-feira (7), os dados da cadeia de soja e do biodiesel referentes a 2025. O PIB dessa cadeia cresceu 11,72% em 2025, um reflexo dos avanços dentro da porteira e da agroindústria. O PIB da soja cresceu 23,4%, e o da agroindústria, 5,2%. O setor de agrosserviços, devido ao volume de soja e ao maior processamento, gerou uma diversidade maior de serviços, crescendo 9,91%.

O PIB volume cresce, mas o PIB renda não. Este último, devido à deterioração dos preços, recuou 0,55% no ano passado, o quarto ano seguido de queda. O valor do PIB da cadeia de soja e do biodiesel foi de R$ 692 bilhões no ano passado, representando 21,6% do PIB do agronegócio e 5,4% do PIB total nacional.

A evolução do setor gerou a abertura de novos empregos, principalmente no setor de agrosserviços. A cadeia produtiva empregou 2,39 milhões de trabalhadores, 5,5% a mais do que em 2024. Os trabalhadores dessa cadeia somaram 10,2% do total empregado pelo agronegócio e 2,3% do total da economia nacional.

As exportações somaram 134 milhões de toneladas, 7,8% a mais do que em 2024. Já o valor, ao atingir US$ 53,5 bilhões, teve queda de 1,5%, devido à redução média de 8,5% nos preços. A China continua sendo o principal mercado para o Brasil, mas União Europeia, sudeste Asiático e Índia aumentaram participação nas compras de produtos brasileiros.


Ela veio também… Em uma coletiva de imprensa online para jornalistas do agronegócio, realizada nesta quinta-feira, a apresentadora foi logo surpreendida pela participação de uma homônima e com sua foto no perfil. Parecia uma mera coincidência, mas era o início de uma interferência da inteligência artificial no evento.

…para bagunçar Ainda no desenrolar da apresentação, conforme eram mostrados dados históricos, veio a primeira intervenção destacando que os fatos mais importantes eram do período de Jair Bolsonaro (PL). Na sequência, uma enxurrada de participações, todas com perfis femininos, destacando que suas partes íntimas eram pertencentes ao agro.

E veio para ficar Após muitas intervenções de baixo calão, os organizadores conseguiram bloquear esses usuários de IA. Pelo jeito, é a nova maneira de utilização do sistema para mandar mensagens políticas ou simplesmente intervir nos eventos com intuito de bagunçá-los.



Fonte ==> Folha SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

10 - 3 = ?
Reload

This CAPTCHA helps ensure that you are human. Please enter the requested characters.