‘Sapatona Galáctica’ tem princesa que salva a ex de aliens – 20/04/2026 – Ilustrada

Dois personagens animados com traços fantásticos se olham com afeto contra um céu alaranjado ao pôr do sol. Um personagem tem pele verde, cabelo rosa e veste regata preta, enquanto o outro tem pele laranja, cabelo longo e olhos com formato de coração.

Uma princesa espacial se apaixona perdidamente por uma caçadora de alienígenas descolada, mas leva um fora depois de poucos dias. Quando a outra é raptada, porém, Saira não pensa duas vezes em deixar seu palácio para salvar a amada das garras de extraterrestres heterossexuais.

É com esse tom paródico e visual hipercolorido que a animação “A Sapatona Galáctica”, agora disponível no streaming Filmelier+, narra um amor lésbico no espaço. Dirigido pelas australianas Emma Hough Hobbs e Leela Varghese, o filme venceu o Prêmio Félix, destinado a produções com temática queer, na última edição do Festival do Rio.

“A Sapatona Galáctica” faz coro com outras animações com personagens LGBTQIA+ que vêm sendo lançadas paralelamente à agenda dos grandes estúdios, que costumam evitar protagonistas abertamente queer em suas histórias. No ano passado, por exemplo, veículos americanos especializados em entretenimento apontaram que a Pixar optou por apagar trejeitos queer do protagonista de “Elio”.

“A Casa da Coruja”, série animada do Disney Channel que tinha a primeira personagem principal bissexual do estúdio, foi cancelada há três anos. Segundo a criadora, Dana Terrace, executivos disseram que o desenho não combinava com a marca por ser uma história contínua, em que cada episódio se conecta com o anterior, o que exige acompanhamento constante do público.

Na época, o fim da animação gerou especulações entre fãs e críticos de que o namoro da personagem principal com outra garota, que incluiu beijos, poderia ter contribuído para o corte da série.

“A Sapatona Galáctica” é destinado a um público mais maduro —no Brasil, sua classificação indicativa é 16 anos— como “Arcane”, animação da Netflix que também tem um casal lésbico protagonista. Outros títulos, porém, como “She-ra e As Princesas do Poder”, série da Dreamworks terminada em 2020, ou “Nimona”, filme que concorreu ao Oscar de melhor animação em 2023, apresentam personagens queer para crianças menores.

Para as diretoras de “A Sapatona Galáctica”, a boa recepção de títulos como “Hazbin Hotel”, da A24 e Amazon MGM, prova que há um público interessado em narrativas mais abertas em relação a temas como homossexualidade, com personagens que desviam dos padrões de gênero.

“Muitas pessoas que trabalham com animação são LGBTQIA+ e têm medo de fazer coisas que sejam autenticamente queer”, diz Hobbs, sobre possíveis boicotes de estúdios e protestos por parte de públicos mais conservadores.

Quando esboçaram o roteiro do filme, as duas sabiam que a princesa deveria salvar alguém, e não ser salva, ao contrário da regra. “Queríamos fazer a personagem não ser um herói macho tradicional, mas algo mais parecido com a gente”, diz Varghese.

Saira está longe de ser uma princesa clichê —sua autoestima é baixa, ela não consegue se casar e usa um moletom com a escrita “sexy bitch”. Seu problema não é gostar de garotas, mas não conseguir sair da solteirice

“Histórias queer não precisam ser sempre sobre a experiência de ser queer”, diz Hobbs. “É empolgante a ideia de ver mais personagens assim na animação sem fazer disso um grande evento.”



Fonte ==> Folha SP

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