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O Rosewood São Paulo exemplifica a nova tendência na alta hotelaria, onde hóspedes podem adquirir móveis, obras de arte e objetos de design durante a estadia.
Desde sua inauguração em 2022, o hotel se tornou um espaço onde a hospitalidade se funde com o varejo, permitindo que itens como sofás, joias e até réplicas de carros de corrida sejam vendidos.
A venda de objetos já representa até 10% da receita em algumas unidades da rede.
A Marriott também segue essa tendência, oferecendo produtos como camas e itens de spa, permitindo que hóspedes recriem a experiência em casa.
Essa mudança reflete um novo comportamento do consumidor de luxo, que busca vínculos emocionais com as marcas de hotelaria, transformando a hospedagem em uma experiência de consumo imersiva.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Certa vez, um executivo foi ao Rosewood São Paulo para um café de negócios. Caminhou pelo lobby, circulou pelo espaço quando bateu os olhos em um colar de esmeraldas em exposição no hotel. Pronto! Estava ali o presente que ele procurava há dias para a esposa, no último mês de gestação do primeiro filho do casal. Saiu da reunião de trabalho com o mimo avaliado em R$ 300 mil.
A história circula pelos corredores do Rosewood como uma espécie de síntese do que o hotel se tornou desde a inauguração, em 2022: um lugar onde a fronteira entre hospitalidade, arte, varejo e experiência desapareceu.
Ali, tudo pode ser comprado. O sofá onde alguém passou a tarde lendo, o conjunto de mesas e cadeiras do restaurante Le Jardin, o tapete da suíte, um violão autografado por Gilberto Gil… Até o sapato do concierge de arte, Vinicius Romancini, já despertou desejo em um hóspede — perfeito para combinar com o blazer branco a ser usado no réveillon.
O hotel, eleito o 24º melhor do mundo pelo ranking The World’s 50 Best Hotels 2025, conseguiu rapidamente um modelo igual para atender ao pedido. O preço do capricho: R$ 3 mil, aproximadamente.
Em muitos casos, o Rosewood encomenda uma peça idêntica ao fornecedor e entrega na casa do cliente. Em outros, quando o hóspede faz questão de levar exatamente aquele objeto, como se a peça carregasse algo invisível — a lembrança do quarto, da viagem —, o hotel vende o item e repõe depois.
Em algumas unidades da rede hoteleira, a venda de objetos já representa até 10% da receita.
Entre as peças mais simbólicas comercializadas está um escapulário inspirado na Capela Santa Luzia, também localizada no complexo Matarazzo. Vendida por R$ 6,5 mil, a joia recebeu uma bênção especial do padre Maurício Matarazzo, reitor do lugar e tataraneto da Condessa Filomena Matarazzo.
Em outra ocasião, uma exposição ligada à Fórmula 1 levou ao lobby uma réplica de um carro usado em corridas. Antes mesmo do fim do evento em Interlagos, o veículo já tinha sido comprado por aproximadamente R$ 500 mil.
Durante muito tempo, o luxo na alta hotelaria esteve associado a lençóis impecáveis, piscinas cinematográficas, cafés da manhã sofisticados e silêncio absoluto. Quando, no entanto, o conforto deixou de ser suficiente, os hotéis deixaram de vender apenas hospedagem para vender também estilo de vida.
Nos hoteís da rede Marriott Internacional, o objeto de desejo dos hóspedes é a cama The Ritz-Carlton Bed, a R$ 25 mil (Foto: Divulgação)
“O diferencial passou a ser emoção, identidade e cultura”, diz o francês Edouard Grosmangin, VP Latam da Rosewood (Foto: Divulgação)
“Há clientes que dormem mais de 100 noites por ano nas nossas camas. Então querem ter essa experiência em casa também”, conta Louise Bang, executiva responsável pelas áreas de vendas e marketing da Marriott International no Caribe e na América Latina (Foto: Divulgação)
O escapulário do Rosewood custa R$ 6,5 mil (Foto: Divulgação)
“O diferencial passou a ser emoção, identidade e cultura”, diz ao NeoFeed o francês Edouard Grosmangin, atual VP Latam da Rosewood e que liderou o projeto do hotel no Brasil.
Tudo no Rosewood está à venda. As obras espalhadas pelas áreas comuns e pelas suítes, os móveis, os livros, os objetos de design — o hotel virou uma espécie de plataforma cultural viva e também uma vitrine sofisticada do design e da arte brasileira. O conglomerado ainda conta com exposições temporárias que mudam a cada três meses.
“Talvez o hóspede não esteja comprando apenas uma cadeira, um roupão ou um sofá. O que ele leva para casa é a sensação de acesso a um Brasil sofisticado, artístico, cosmopolita e cuidadosamente editado”, avalia Grosmangin.
A ideia não é exatamente nova, diz o executivo. Durante décadas, hóspedes de hotéis de luxo levaram — oficialmente ou não — roupões, chinelos e amenities como lembrança. A tendência de agora, no entanto, é mais sofisticada. Os itens são símbolos silenciosos de status que ajudam a compor o lifestyle do hóspede.
E não acontece só no Rosewood. A Marriott International, que no Brasil inclui hotéis como o W São Paulo, o JW Marriott Hotel São Paulo e o Sheraton Grand Rio Hotel & Resort, também transformou parte da experiência de hospedagem em um negócio próprio de varejo.
A rede vende desde velas aromáticas, sprays de ambiente, roupões e produtos de spa até itens maiores, como toalhas e camas usadas nas suítes das marcas do grupo.
Segundo Louise Bang, executiva responsável pelas áreas de vendas e marketing da Marriott International no Caribe e na América Latina, os produtos ligados ao conforto e ao olfato são os mais procurados porque ajudam os hóspedes a recriar em casa a sensação vivida durante a estadia. Entre os destaques estão as camas The Ritz-Carlton Bed, com preços que chegam a R$ 25 mil.
“Muitos dos nossos viajantes, especialmente de negócios, passam muitas noites conosco. Há clientes que dormem mais de 100 noites por ano nas nossas camas. Então querem ter essa experiência em casa também”, conta Louise em entrevista ao NeoFeed.
No exterior, de acordo com o The Wall Street Journal, o Hotel Anna & Bel, na Filadélfia, convidou a Anthropologie Home para decorar uma suíte inteira com móveis e objetos disponíveis para compra via QR code, transformando a estadia em uma experiência de consumo imersiva.
A Design Within Reach criou experiências em propriedades como a Wave House, em Palm Desert, na Califórnia. No Piaule, nas montanhas Catskills, em Nova York, os hóspedes podem testar e comprar exatamente os móveis usados durante a hospedagem. Já o Newport Harbor Island Resort, em Rhode Island, lançou suítes em parceria com marcas de bem-estar, vendendo desde roupões até velas aromáticas.
O movimento reflete uma mudança no comportamento do consumidor de luxo e de hospitalidade. Os clientes passaram a criar vínculos emocionais mais fortes com as marcas de hotelaria, e os hotéis prontamente enxergaram o potencial desse novo negócio.
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Fonte ==> NEOFEED