Histéricas ou injustas? – 01/05/2026 – Gustavo Alonso

Histéricas ou injustas? - 01/05/2026 - Gustavo Alonso

A polêmica desta semana envolveu dois artistas baianos numa cerimônia em Salvador, nesta terça (28). Quando Daniela Mercury foi homenageada no palco, se dirigiu a Edson Gomes, famoso cantor de reggae em todo o Nordeste: “Edson, eu peço que você seja carinhoso com sua esposa porque a gente não aceita violência com nenhuma mulher”.

Edson Gomes foi ágil, subiu no palco e questionou Mercury: “Eu queria perguntar a Daniela de onde foi que ela tirou que eu espanco mulher? Acabou me envergonhando na frente de todo mundo! Você não tem como provar.”

Sem graça, Daniela respondeu: “É verdade! Me desculpe. [É que] eu tô preocupada com as mulheres. Então você é carinhoso com as pessoas que você ama?” Edson Gomes rebateu sem pestanejar. “Eu também me preocupo com as mulheres. Não importa se eu sou carinhoso. Você não prova que eu sou um agressor.”

O clima azedou de vez. Foi quando um apaziguador Carlinhos Brown conclamou todos a cantarem juntos. Edson Gomes se negou e saiu do palco indignado.

Inspirado em Edson Gomes, resolvi tampouco me calar. Recentemente sofri acusações falsas por parte de uma colunista da Folha, a bem conhecida Tati Bernardi, que merecem ser rebatidas.

Tati Bernardi apresentava o podcast “Reparação Histérica” ao lado da advogada Ruth Manus, da cantora Zélia Duncan e da psicanalista Elisama Santos, quando me pegou como alvo. Atenção, canceladores, quem se autodenomina “histéricas” são as próprias condutoras do programa, que assim o batizaram.

O tema do podcast de 8 de abril era “Quem critica os críticos?”. A partir do minuto 33, as influencers passaram a me criticar por dez minutos acerca de colunas publicadas neste jornal. Uma delas foi sobre a importância da cantora Marília Mendonça, outra uma análise crítica do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. Em uníssono, as influencers me acusavam de personalizar a crítica e atacar artistas valorosos indevidamente.

E o que resolveram fazer as podcasters? Passaram a fazer exatamente o que tanto rejeitam, dobrando a aposta. A advogada Ruth Manus foi direta: “Ele é um escroto! Eu não conheço o cara, mas a gente conhece o perfil. O algoritmo junta as pessoas pelo ódio, não pelos amores”. Zélia Duncan riu e falou: “Que pena! É um escroto!”, fazendo girar a roda de ódio. Elas foram além e usaram palavras de baixo calão que em nenhum momento usei em meu texto, subindo o tom “hater” das redes que tanto criticam.

Era a coroação de uma série de julgamentos a minha pessoa. Não cabia serem ponderadas, como confirmaram as próprias podcasters. Depois de me chamar de “grosseiro”, “gordofóbico” e “mau”, Tati passou a bola para Elisama, que me chamou de “caça like”. Zélia Duncan me acusou de “arrogante rejeitado”. E Ruth Manus completou: “É uma pessoa ruim, eu não consigo achar outra definição. Eu acho importante a gente voltar para o patamar de conto de fadas e maniqueísmo”.

Até aí, tudo bem. É do jogo. O problema foi quando Tati Bernardi resolveu mentir sobre um fato. Agindo como se estivesse na sua bolha numa mesa de bar, a colunista falou: “Eu vou contar uma fofoca: teve um evento da Folha de S.Paulo de 105 anos do jornal, e eles fizeram um café da manhã para todos os colunistas. Tava todo mundo lá, um evento gigante, foi super legal! Decidiram de última hora que o Drauzio [Varella] iria encerrar o evento. Era uma homenagem, por ser o colunista com mais idade ali. Aí o Drauzio fez uma fala lindíssima, ele é sensacional! Ele não decepciona, foi aplaudidíssimo e foi aquilo, vamos encerrar com a fala do Drauzio e vamos agora para o café da manhã, tava todo mundo com fome. Este mesmo crítico resolveu levantar a mão e quis falar depois do Drauzio. Não se conformou! É um cara jovem, deve ter uns 30 e poucos, se tiver 40 é muito. Ele pegou o microfone e ninguém entendeu nada, a gente já tava levantando. Afinal, encerrar com o Drauzio é muito fino, né! Aí eu entendi! Ele queria causar.”

Agradeço a Tati o comentário sobre minha aparência juvenil, mas lembro à autora que tenho a mesma idade dela. Isso ilustra o quanto ela me desconhece. Até aí, tudo bem. O que não está certo é inventar fatos que não ocorreram, Tati!

Depois de ouvir o podcast, me perguntei se estava ficando maluco, pois minhas lembranças eram muito diferentes das da autora. Incorporando Tati Bernardi, me perguntei: “Depois o louco sou eu?”

Consultei algumas pessoas entre as mais de cem que estiveram presentes no evento e as lembranças destas batiam com as minhas. Ufa! Lembrei também que o evento foi filmado pelo jornal. Havia câmeras transmitindo a cerimônia para colunistas que não puderam ir.

Tati parece querer lacrar e se equivoca redondamente acerca dos fatos. O encontro de colunistas da Folha sobre o qual a podcaster fofocou aconteceu em 13 de março deste ano na sede do jornal. O evento começou no auditório por volta das 10h15 e ouvimos falas de Sérgio Dávila, diretor de Redação, Vinicius Mota, editor-executivo do jornal, e do editor Guilherme Genestreti. Logo em seguida, o médico Drauzio Varella de fato discursou como colunista decano. Como havia sido combinado desde o início, após a fala de Drauzio os colunistas poderiam fazer perguntas aos editores.

O dr. Drauzio falou rápida, mas sabiamente, sobre a condição de decano, fato que o espantava. Ao longo da vida, durante muito tempo foi o mais jovem entre os colegas de profissão. De repente, a vida o colocava nessa condição surpreendente. Por fim elogiou os colegas de trabalho, especialmente aqueles que produzem semanalmente, pois o médico-colunista sabia o quanto custa mentalmente esse tipo de trabalho.

Quando os diretores da Folha abriram para perguntas, fui o terceiro a levantar a mão. Antes de fazer a pergunta, agradeci ao jornal pela oportunidade de conhecer ao vivo colunistas que foram importantes na minha formação. E completei: “Alguns foram ainda mais do que isso, por exemplo o dr. Drauzio. Para mim, além de grande influência, ele certa vez foi cupido de uma relação”. Era uma brincadeira boba para quebrar o gelo de um encontro sério até então.

Falei rapidamente que tive um relacionamento amoroso no qual começamos a interagir por causa dele, conversando sobre seus ótimos livros e colunas. Brinquei dizendo que, se o relacionamento tivesse durado, o médico teria que ser padrinho de casamento. Foi só isso. A plateia achou engraçadinho, Drauzio riu meio de lado, os editores brincaram com o médico. Nada demais. Em seguida, fiz minha pergunta aos editores, assim como dez outros colunistas também fizeram naquela manhã, após minha intervenção.

Tati Bernardi mente ao descrever fatos que não ocorreram. E me coloca como alguém ególatra que quis dominar um evento, roubando a estrela de Drauzio. Nem de perto isso aconteceu, Tati. Com bom humor inofensivo, eu louvei o médico. É espantoso que alguém que ganha a vida falando insistentemente sobre si própria em todas as mídias, como Tati Bernardi, censure alguém justamente por seu próprio pecado, falacioso no meu caso.

Por fim, quero dizer que continuo sendo admirador dos livros e podcasts de Tati Bernardi, assim como de Zélia Duncan, de quem sou fã desde os tempos em que ela se chamava Zélia Cristina. Niteroiense como eu, cedo adorei seus discos.

Elas podem me odiar e alimentar a onda “hater” da internet com ainda mais raiva que julgam que cometi. Não me importo, estão no direito delas. O problema começa quando há mentiras factuais facilmente comprováveis com testemunhas e vídeos.

A equipe de Daniela Mercury divulgou nas redes sociais, nesta quarta-feira (29), uma nota com um pedido de desculpas um tanto ambíguo, sem assumir responsabilidade real por uma acusação sem provas. Tati se responsabilizará pelas mentiras divulgadas irresponsavelmente sobre mim? Tati Bernardi e suas colegas não são histéricas. São injustas mesmo.





Fonte ==> Folha SP

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