Fim da escala 6×1 pode custar R$ 2 bilhões e reduzir margens do varejo

Fim da escala 6x1 pode custar R$ 2 bilhões e reduzir margens do varejo

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A discussão sobre a redução da jornada de trabalho de 6×1 para 5×2 já indica um impacto significativo no Ebitda de diversos setores.

Um relatório do BTG Pactual prevê uma queda média de 9,5% no varejo, com o varejo farmacêutico sendo o mais afetado, com uma pressão de 13,6%. O vestuário deve sofrer uma queda de 8,8%, seguido pelo varejo de alimentação com 8,6%, e o e-commerce com 7,6%.

Para mitigar esses custos, os varejistas precisarão aumentar o número de funcionários e ajustar turnos, resultando em uma previsão de 30,4 mil novas contratações.

A despesa anual por funcionário deve chegar a R$ 67,2 mil, totalizando R$ 2 bilhões em custos de adaptação.A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda precisa ser aprovada e enfrenta resistência, com a necessidade de ganhos de produtividade sendo um ponto central do debate. Trabalhadores com renda superior a R$ 21 mil ficarão isentos das novas regras.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O avanço da discussão em torno da redução da jornada de trabalho 6×1, com redução de 44 horas para 40 horas semanais, já traz à tona o real impacto desta medida para diversos setores da economia. Relatório do BTG Pactual mostra que, de uma forma geral e sem qualquer ação mitigatória, o Ebitda do varejo deve cair 9,5% com a implementação das novas regras.

O maior impacto, segundo os analistas, será no varejo farmacêutico, que terá uma pressão de 13,6% sobre o Ebitda. Na sequência, vem o vestuário, que sofrerá uma pressão de 8,8% na margem. O varejo de alimentação deve ter queda de 8,6% no Ebitda, e o e-commerce, 7,6%.

“Com a redução da jornada de trabalho, os varejistas provavelmente precisariam aumentar o quadro de funcionários, ajustar estruturas de turnos ou adotar uma combinação de ambos para preservar cobertura das lojas e níveis de serviço”, diz o relatório assinado por Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.

O desafio a partir de agora, segundo o banco, é entender o quanto os segmentos vão conseguir minimizar o impacto dos custos a partir da necessidade do aumento do quadro de funcionários, para atender a redução de 10% no volume semanal de período de trabalho.

“A principal questão para os varejistas será o quão eficazmente conseguirão mitigar os custos trabalhistas mais elevados por meio de respostas estratégicas. Automação, otimização de escalas e ganhos de produtividade devem ser as principais alavancas para compensar essas pressões”, afirma o relatório.

Como forma de diminuir os custos desta mudança, na visão dos analistas, a Vivara, por exemplo, “poderia investir em soluções digitais para melhorar gestão de estoque e eficiência das vendas em loja, reduzindo a necessidade de ampliar equipes presenciais”.

Um caminho apontado pelo BTG para o Magazine Luiza, que já tem uma grande presença no e-commerce, seria “ampliar ainda mais suas capacidades digitais e omnichannel, reduzindo dependência do trabalho nas lojas físicas”.

Ainda pela análise do banco, empresas com modelos mais intensivos em capital, como a Assaí Atacadista, podem encontrar mais dificuldade para compensar o aumento dos custos trabalhistas e acabar forçadas a elevar preços ou absorver pressão de margens, potencialmente afetando a demanda no curto prazo.

Por outro lado, os analistas enxergam que a da Raia Drogasil, uma das companhias de capital aberto no Brasil que já iniciou regime sob formato 5×2, mas que ainda não absorveu a redução da carga horária, pode estar melhor posicionada para absorver custos maiores, com foco em avenidas de maior margem.

“Em última instância, a capacidade de absorver custos trabalhistas maiores dependerá da habilidade das empresas de extrair eficiências operacionais, repassar aumentos de custos sem prejudicar a demanda e manter flexibilidade da força de trabalho”, afirmam.

O BTG também aferiu o impacto da necessidade de aumento no volume de funcionários para que as empresas possam manter a operação em funcionamento.

“A pressão de custos não é desprezível, mas pode ser parcialmente compensada. Os varejistas provavelmente precisariam aumentar o quadro de funcionários, ajustar estruturas de turnos ou adotar uma combinação de ambos para preservar cobertura das lojas e níveis de serviço”, diz o relatório.

Os analistas acreditam que, nos quatro setores listados do varejo – farmacêutico, alimentar, vestuário e comércio eletrônico -, o volume de contratações prevista para suprir a nova demanda a partir da mudança da jornada é de 30,4 mil.

O segmento de alimentação vai precisar contratar mais 10,9 mil trabalhadores, enquanto as redes farmacêuticas terão de abrir mais 8,3 mil vagas. O varejo de moda vai precisar de 5,8 mil funcionários, e o e-commerce, mais 5,3 mil.

Ainda de acordo com o levantamento do BTG, a perspectiva é que, com a jornada indo para 5×2, a despesa de pessoal por funcionário de loja chegará a R$ 67,2 mil ao ano, levando em conta todo o varejo. Com isso, os custos de adaptação para esta nova realidade devem chegar a R$ 2 bilhões.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que começou a tramitar em Brasília após acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, ainda precisa ser aprovada tanto entre os deputados federais quanto os senadores. São necessários o apoio de pelo menos 308 na Câmara, e de 49 no Senado.

Mesmo com o ritmo acelerado que Motta quer imprimir ao projeto, a proposta segue enfrentando resistência de empresários e economistas, que argumentam que a redução de jornada deveria ser acompanhada de ganhos de produtividade por meio de treinamento, inovação e melhorias de infraestrutura.

Além disso, trabalhadores bem remunerados, com diploma universitário e renda superior a R$ 21 mil por mês, o equivalente a 2,5 vezes o teto do INSS, ficariam isentos das novas regras de jornada e de controle de horas, para tentar reduzir a “pejotização” entre profissionais de maior renda.



Fonte ==> NEOFEED

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