Angelo Orru Neto, CEO do iHealth Group, leva ao painel Bridging Continents da BIOHK 2026, em Hong Kong, a experiência de localizar pacientes brasileiros para ensaios clínicos com dados de mundo real
São Paulo, setembro de 2026 – Uma empresa brasileira que usa dados de mundo real para apoiar e acelerar a inclusão de pacientes em estudos clínicos ocupa o palco da Hong Kong International Biotechnology Conference and Exhibition (BIOHK), realizada entre 9 e 12 de setembro no Hong Kong Convention and Exhibition Centre. Angelo Orru Neto, fundador e CEO do iHealth Group, integra o painel Bridging Continents, que reúne investidores, executivos e especialistas internacionais para discutir como o eixo China e América Latina pode se tornar uma nova rota de desenvolvimento de medicamentos.
A quinta edição da BIOHK é organizada pela Hong Kong Biotechnology Organization em parceria com a Reed Sinopharm Exhibitions e, na edição anterior, reuniu mais de dez mil participantes e 250 palestrantes de dezenas de países. Entre os expositores deste ano estão GSK, AstraZeneca, Novartis, Merck, Novo Nordisk e Pfizer, além das principais empresas de biotecnologia da China, como Hengrui, BeOne Medicines e BGI Genomics.
O contexto: a China quer exportar inovação e precisa de novos mercados para testá-la
A presença brasileira acontece em um ponto de inflexão da indústria farmacêutica global. Só no primeiro semestre de 2026, empresas chinesas de medicamentos inovadores anunciaram 81 acordos de licenciamento para o exterior, somando cerca de US$ 110 bilhões em valor potencial, segundo levantamento da Reuters confirmado por dados do Conselho de Estado da China. A China já responde por cerca de 39% da participação global em pesquisa clínica, à frente dos Estados Unidos e da União Europeia em recrutamento de pacientes e velocidade de desenvolvimento, de acordo com relatório da McKinsey.
Esse volume de ativos em desenvolvimento cria uma pergunta que interessa diretamente ao Brasil: onde essas moléculas serão testadas, quem vai encontrar os pacientes certos para cada protocolo e como garantir que o dado gerado seja aceito por agências como a FDA americana e a NMPA chinesa? É exatamente essa questão que o painel de Hong Kong pretende responder, e é o problema que a iHealth resolve no Brasil.
O Brasil tem escala. A dúvida é se tem dado confiável
O país reúne 213,4 milhões de habitantes, conforme estimativa do IBGE para 2025, e vive o primeiro ciclo completo da nova Lei de Pesquisa Clínica (Lei 14.874/2024), que criou prazos definidos para a análise ética e regulatória. Em 2025, a Anvisa finalizou 405 petições regulatórias de ensaios clínicos, envolvendo 482 centros candidatos e 1.264 investigadores, segundo o relatório anual da Coordenação de Pesquisa Clínica (Copec). Mas 82% desses investigadores estão concentrados no Sul e no Sudeste, 23% das petições foram liberadas apenas por decurso de prazo e 31% dos estudos com notificação de início em 2025 começaram mais de 180 dias depois de autorizados.
Para Angelo Orru Neto, os números mostram um sistema que ganhou previsibilidade regulatória, mas ainda perde tempo depois da autorização, na etapa de encontrar e incluir pacientes. Ter milhões de pessoas com uma doença não significa ter acesso a elas: o paciente elegível está espalhado em prontuários de centenas de instituições, muitas vezes longe dos centros de pesquisa, sem que ninguém saiba onde ele está. É nesse intervalo entre a autorização e o primeiro paciente incluído que o Brasil ganha ou perde estudos internacionais.
“Prevalência não é acesso. O Brasil pode ter centenas de milhares de pacientes com uma doença e mesmo assim não conseguir incluir cinquenta em um estudo, porque ninguém sabe em qual hospital, em qual cidade e em qual fase do tratamento cada um deles está. O que fazemos é usar o dado do mundo real para responder a essa pergunta antes de o estudo abrir, e não seis meses depois”, afirma o fundador e CEO do iHealth Group.
Para o executivo, essa capacidade de localizar o paciente certo é também o que vai definir quais países vão receber os estudos financiados pela nova onda de investimentos chineses.
“Quando uma farmacêutica chinesa ou americana avalia o Brasil, ela quer saber duas coisas: se vai encontrar os pacientes e se o dado que sair daqui vai ser aceito lá fora. As duas respostas dependem da mesma coisa, que é conhecer a jornada real do paciente desde o prontuário. É isso que vou levar para Hong Kong: o Brasil está pronto para receber estudos, desde que trate o dado do paciente como infraestrutura, e não como planilha”, completa Angelo.
O que a iHealth leva para o palco
A iHealth, empresa do Grupo Doctor Assistant, usa dados de mundo real extraídos de prontuários eletrônicos e registros assistenciais para apoiar a indústria farmacêutica e os centros de pesquisa na etapa mais crítica de um ensaio clínico no Brasil: encontrar e incluir os pacientes certos. A partir da jornada real do paciente, a empresa mapeia onde estão as pessoas elegíveis para cada protocolo, em quais instituições são atendidas, em que fase do tratamento se encontram e quais centros de pesquisa têm condições reais de incluí-las, reduzindo o intervalo entre a autorização do estudo e o primeiro paciente incluído. O mesmo dado, gerado com rastreabilidade desde a origem, se transforma em evidência de mundo real (RWE) com padrão regulatório. Um dos levantamentos recentes da empresa mapeou 2.812 pacientes com esclerose múltipla em 52 instituições de 14 estados brasileiros, um retrato inédito de onde e como esses pacientes são tratados no país.
“Nosso ponto de partida não é uma pesquisa de mercado, é o prontuário. Trabalhamos com registros assistenciais reais, com rastreabilidade desde a origem e dentro da LGPD, para responder a perguntas que um protocolo faz e o sistema de saúde nunca respondeu: quantos pacientes com determinado perfil existem, onde são tratados, em que linha de tratamento estão e quais centros conseguem chegar até eles. É esse rigor que permite que o mesmo dado sirva para incluir pacientes hoje e para gerar evidência aceita por reguladores depois”, afirma Karlyse Claudino Belli.
A participação de Angelo Orru Neto em Hong Kong coloca na mesa em que hoje se discute para onde vão os próximos estudos clínicos financiados pela inovação chinesa uma experiência que o Brasil raramente exporta: a de transformar dados de saúde em pacientes efetivamente incluídos em pesquisa.
Serviço
BIOHK 2026, Hong Kong International Biotechnology Conference and Exhibition
Painel: Bridging Continents
Data: 9 a 12 de setembro de 2026
Local: Hong Kong Convention and Exhibition Centre, Hong Kong
Participação brasileira: Angelo Orru Neto, fundador e CEO do iHealth Group e fundador e CEO da DoctorAssistant.ai
iHealth é uma empresa brasileira do Grupo Doctor Assistant que usa dados de mundo real (RWD) para apoiar e acelerar a inclusão de pacientes brasileiros na pesquisa clínica. A partir da jornada real do paciente registrada em prontuários eletrônicos e sistemas assistenciais, a empresa mapeia prevalência, localiza pacientes elegíveis, apoia a seleção de centros de pesquisa e monitora o funil de recrutamento de ensaios clínicos, além de produzir evidências de mundo real (RWE) com padrão regulatório para estudos observacionais e controles externos.

