Ajuste fiscal pode derrubar juros em 2027, avalia economista

Sem sinalizar controle do gasto público, o Brasil corre risco de fechar 2027 com crescimento baixo e PIB negativo, avalia o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida. Ele aponta que o próximo ano será definido menos pelo ambiente externo e mais pela capacidade de o país reduzir a incerteza em torno da dívida pública.

Um “plano fiscal crível”, argumenta Mansueto Almeida, teria efeito rápido sobre os juros de longo prazo e abriria espaço para o Banco Central acelerar a redução da taxa básica. “Se entrarmos em 2027 com juros altos e não vier um plano de governo mostrando como segurar o crescimento do gasto público, podemos ter um PIB negativo”, afirma.

Almeida avalia que o cenário de juros altos no Brasil tem causas externas e domésticas, conforme expôs durante o evento “Money Week 2026”*, realizado em Balneário Camboriú (SC) no mês de agosto. Estudo do BTG Pactual estima que cerca de 40% da alta do juro real brasileiro nos últimos quatro ou cinco anos possa ser explicada pelo movimento das taxas impostas pelos Estados Unidos, mas a maior parcela decorre de fatores internos — sobretudo, a expansão do gasto público e a falta de perspectiva de estabilização da dívida.

A pressão externa vem de uma economia norte-americana ainda aquecida e de inflação acima da meta. O mercado, segundo o economista, passou a precificar novos aumentos de juros pelo Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, o que tem o potencial de elevar a volatilidade nos emergentes.