A seleção iraniana foi eliminada da fase de grupos na Copa do Mundo no sábado (27), encerrando uma participação envolta em episódios diplomáticos com os Estados Unidos, um dos países anfitriões, dificuldades com vistos, longas viagens antes e depois das partidas e cartas de agradecimento e de críticas.
No início da madrugada de domingo, depois que o resultado da partida entre Argélia e Áustria confirmou a eliminação iraniana, a Federação de Futebol do Irã divulgou nova manifestação de insatisfação com o tratamento recebido no torneio e disse que a conduta dos Estados Unidos foi “injusta e antidesportiva”.
Segundo o New York Times, a Federação de Futebol do Irã agradeceu, em comunicado, aos mexicanos pela hospitalidade e pela generosidade. “Seremos sempre gratos ao grande e generoso povo do México, assim como ao governo do México, por sua hospitalidade e respeito.”
Os presidentes das federações estaduais de futebol do Irã também assinaram uma nota em que afirmam que o país anfitrião “deliberadamente impôs obstáculos” à presença da seleção no Mundial.
Estados Unidos e Irã estão em guerra desde fevereiro, o que levou a 15 integrantes da delegação iraniana terem seus vistos negados. Os jogadores conseguiram as autorizações, mas elas só saíram dez dias antes da estreia no Mundial.
Inicialmente, a base do Irã para a Copa seria Tucson, no Arizona, mas a seleção precisou transferi-la para Tijuana, no México, e só podia entrar nos Estados Unidos na véspera de cada jogo. Também tinha que retornar a Tijuana logo após as partidas.
Somente no início da última semana o governo dos Estados Unidos flexibilizou as regras de deslocamento dos iranianos e permitiu que a equipe entrasse no país dois dias antes da partida contra o Egito, em Seattle, na sexta (26).
Depois da partida em que Irã e Egito empataram por 1 a 1, o capitão iraniano Mehdi Taremi disse que os jogadores tinham a sensação de “que querem o Irã eliminado.” O jogador descreveu a Copa do Mundo na América do Norte como um desastre.
“Agora temos que viajar novamente para Tijuana, sem nos recuperarmos, sem nada”.
Os comunicados divulgados neste domingo se juntam a outras duas cartas deixadas por jogadores em Los Angeles e em Seattle depois de suas partidas nessas cidades.
Na primeira, o Irã enfrentou a Bélgica, partida que terminou sem gols. No bilhete, os jogadores agradecem à cidade pela hospitalidade e citam um ataque contra uma escola em Minab no primeiro dia da guerra com os Estados Unidos, no qual, segundo relatos, morreram 168 meninas.
No vestiário do estádio em Seattle, os iranianos citaram novamente a hospitalidade local e também a frustração com o empate que, na madrugada seguinte levaria à eliminação da seleção do torneio.
“Talvez uma equipe possa avançar de um grupo, mas apenas através da justiça e da honra é possível se manter de pé diante da história”, dizia a mensagem escrita à mão pela seleção e divulgada pela federação iraniana de futebol. “Fair play não é apenas uma linha nas regras do futebol, é a alma do jogo”, completava o texto.
Com agências internacionais
Fonte ==> Folha SP