Morre Alexei Bueno, poeta, editor e tradutor, aos 63 anos – 27/06/2026 – Ilustrada

Homem de meia-idade com cabelo curto e escuro, vestindo camisa xadrez de mangas compridas arregaçadas, fuma um cigarro com a mão direita próxima à boca. A mão esquerda está no bolso da calça escura. Fundo branco liso.

Morreu, na madrugada desse sábado (27), o poeta, ensaísta, tradutor e editor Alexei Bueno, aos 63 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada por Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e pela Editora Lume. Bueno tratava um câncer.

Como editor, Bueno organizou obras de escritores-chave para a literatura brasileira, como Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, Álvares de Azevedo e Olavo Bilac, todos para a editora Nova Aguilar, nos anos 1990.

Em 1998, publicou a primeira edição brasileira anotada da “História Trágico-Marítima”, coleção de notícias de naufrágios de navegadores portugueses reunidos por Bernardo Gomes de Brito e publicados entre 1735 e 1736. Organizou também “Jerusalém Libertada”, de Torquato Tasso. Nos anos 2000, coordenou a antologia da poesia romântica brasileira a convite da Unesco.

Em 2012, publicou ainda “Machado, Euclides & Outros Monstros”, coletânea de ensaios sobre clássicos brasileiros que incluiu ainda Álvares de Azevedo e Carlos Drummond de Andrade.

Bueno também se consolidou como um dos principais tradutores de poesia do Brasil. Trabalhou com clássicos da literatura universal, como Edgar Allan Poe, Henry Wadsworth Longfellow, Stéphane Mallarmé, Giacomo Leopardi e William Shakespeare.

Sua tradução de “O Corvo”, de Poe, é reconhecida como um grande desafio formal. O poema já havia sido traduzido por nomes como Machado de Assis e Fernando Pessoa, e integra a coletânea “Cinco Séculos de Poesia”, publicada em 2013, reunindo décadas de trabalho tradutório.

Em 2017, lançou “Desaparições”, antologia de sua obra poética prefaciada por Arnaldo Saraiva, que o definiu como “talvez a mais poderosa voz da poesia brasileira revelada nas últimas décadas”.

Seu trabalho autoral mais conhecido é “A Escravidão na Poesia Brasileira: Do século 17 ao 21”, de 2022, ensaio que preencheu uma lacuna da historiografia literária brasileira. A obra reúne 80 poetas e mais de 220 poemas, cobrindo cerca de 350 anos, incluindo muitos textos totalmente desconhecidos.



Fonte ==> Folha SP

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