O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, fez um apelo nesta terça-feira (23) aos executivos das empresas de inteligência artificial (IA) para que falem “toda a verdade” sobre o custo climático de seus data centers e pediu que recorram a energias renováveis para a operação das unidades.
Com a Europa enfrentando a segunda onda de calor em dois meses, Guterres traçou um panorama sombrio para o planeta que viveu seus 11 anos mais quentes desde o início dos registros.
O consumo crescente de energia e de água pelos data centers necessários para a IA e outros serviços digitais pressiona as comunidades locais e o meio ambiente. Guterres chamou a atenção para sua pegada ambiental.
Chega de custos ocultos. Chega de colocar o fardo sobre aqueles que têm menos condições de suportá-lo. Chegou a hora de dizer toda a verdade. Se a IA deve contribuir para construir um futuro melhor, ela precisa ser honesta sobre o que nos custa hoje
Segundo um estudo da ONU publicado no início do mês, em 2025, se as instalações formassem um país, seu consumo as colocaria na 11ª posição.
Guterres lançou uma iniciativa de transparência ambiental em matéria de IA, com a qual pede a todas as grandes empresas de inteligência artificial que divulguem publicamente seu impacto ambiental e se comprometam para que todos os seus data centers funcionem com energias renováveis até 2030.
Além disso, o secretário-geral da ONU lançou um “apelo à ação global sobre o metano”, o segundo principal causador das mudanças climáticas depois do CO2, para fazer com que as emissões deste gás sejam “praticamente nulas em toda a cadeia de valor”.
Para isso, propôs combater os vazamentos de metano na indústria de petróleo e gás e promover práticas de eliminação do gás natural emitido durante as extrações de petróleo.
Fonte ==> Folha SP