Cuba: Rede de hotéis Meliá anuncia saída do país – 03/06/2026 – Economia

Mototaxi vermelho com motorista e passageiro circula em rua diante de prédio antigo com fachada cinza e janelas altas. Letreiro

O grupo hoteleiro espanhol Meliá informou nesta quarta-feira (3) que deixará imediatamente de administrar, comercializar e fornecer serviços de marca para 15 hotéis em Cuba, apontando para o agravamento das condições geopolíticas, legais e econômicas da ilha.

A medida ocorre no momento em que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, aumenta a pressão sobre Cuba, usando um bloqueio de petróleo e sanções mais rígidas em um esforço para cortar recursos e forçar uma mudança de poder no país.

O Meliá, uma das maiores operadoras hoteleiras estrangeiras em Cuba, tem uma presença importante na ilha desde 1990. A empresa disse ter informado os proprietários de hotéis sobre sua decisão em 26 de maio, com confirmação emitida na quarta-feira. Os hotéis eram administrados por sua subsidiária portuguesa Ilha Bela Gestão e Turismo.

Em um documento às autoridades regulatórias, a empresa comunicou que a retirada foi motivada por “uma combinação de circunstâncias imprevistas” além do controle da Ilha Bela, que afetaram significativamente a viabilidade, legalidade e segurança das operações contínuas.

Cuba é um dos maiores mercados da Meliá em número de hotéis, mas sua contribuição financeira para a empresa enfraqueceu drasticamente, pois o setor de turismo da ilha foi atingido pela falta de energia e pela queda da demanda turística. A empresa informou que a maioria dos hotéis já estava fechada ou inativa.

A Ilha Bela está agora trabalhando em uma retirada ordenada das propriedades e está implementando medidas para manter os fornecedores e clientes informados, disse.

Antes do Meliá, as redes de hotéis Iberostar e Blue Diamond também anunciaram o encerramento de parte de suas operações no país. A Iberostar deixará de administrar 12 dos 18 hotéis que tem em Cuba.

Meliá e Iberostar foram as primeiras cadeias hoteleiras espanholas a chegar a Cuba, depois que a ilha se abriu para o turismo internacional em 1991.

Washington está pressionando Cuba para tornar sua economia mais liberal, permitindo mais investimento estrangeiro e o aumento do setor privado, além de pedir a libertação de presos políticos e reformas políticas.

Os EUA impuseram novas sanções à empresa controlada por militares que é responsável pela manutenção de parte importante da economia cubana, a Gaesa —o conglomerado atua no comércio, no turismo, nas finanças e na logística da nação.

Os americanos também ampliaram o escopo de possíveis sanções secundárias sobre empresas internacionais que atuam em Cuba. A decisão levou a companhia canadense Sherritt a sair de uma joint ventura de mineração de níquel e cobalto em território cubano. Agora é a vez dos hotéis anunciarem a debandada.

Somado a isso, o bloqueio energético imposto pelos EUA também começa a impactar a economia. O regime cubano afirmou que estava sem diesel e óleo combustível. Houve protestos contra apagões em partes do país. Cidadãos cubanos relatam clima tenso causado pela crise econômica e pela sensação de incerteza política.

“Os apagões são intermináveis. Há água por uma hora por dia e às vezes até menos”, disse Jorge, um artista que trabalha como vigia noturno em Havana. “O governo dos EUA ainda não definiu o que vai fazer, enquanto os daqui não largam o osso.”

Com informações da Reuters, AFP e Financial Times



Fonte ==> Folha SP

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