Bets tiram o capital do consumo, diz CEO da Mondial – 02/05/2026 – Painel S.A.

Homem de meia-idade veste camiseta preta com detalhes brancos e símbolo do Corinthians, apoiado em suporte com vários remos organizados verticalmente em ambiente interno.


Giovanni Martins Cardoso tem a atenção dividida. Planeja os próximos passos estratégicos do Grupo MK, dono das marcas Mondial e Aiwa. Também se prepara para a viagem a Bled, na Eslovênia. É onde vai acontecer em setembro o Mundial masters de remo, modalidade em que faz parte da equipe do Corinthians, apesar de ser tão palmeirense que tem um camarote no estádio do clube.

Na porta, está placa com a frase: “O Palmeiras tem Mondial.”

Ter cerca de 40% de market share no mercado de eletroportáteis faz com que ele nem cogite um IPO.

A Mondial tem planos de aumento de expansão no exterior? A marca está nos EUA, Argentina, Bolívia, Paraguai e Guatemala. Isso representa 2% do nosso negócio. Esperamos saltar para um número entre 4% e 5%.

O mercado argentino mudou no governo Milei? Houve a retomada do fluxo de pagamentos. Antes, era centralizado. Saía do comprador, ia para o Banco Central e depois era liberado para quem vendeu. Hoje, você negocia diretamente, sem intermediário. A gente começou a explorar mais esse mercado. A entrada ficou facilitada e conseguimos exportar mais. Montamos uma sucursal dentro da Argentina para fazer entrega bem rápida e ser o nosso diferencial. O mercado argentino não está acostumado com entregas rápidas de produtos importados. Queremos em 2027 estar entre as três principais marcas no país.

Como está a competitividade no Brasil frente às marcas asiáticas? O segmento de TV é o mais atacado pelas empresas coreanas e chinesas. No eletroportátil, é bem menos. É mercado de baixo valor agregado, o frete é caro e a logística é difícil. A linha de TV e linha branca começaram a atrair [asiáticos] porque as margens são maiores.

O cenário de guerra afeta os negócios da Mondial? O mercado todo é afetado. Compro plástico da Braskem com taxa do dólar. Estive em uma feira na China. Lá, a taxa de juros é de 1% ao ano. No Brasil, estou pagando 18%. Os empresários brasileiros são heróis. Causa espanto no exterior.

O senhor está pessimista com o cenário macroeconômico?  Essas bets consomem R$ 400 bilhões por ano. É um absurdo. Tira dinheiro do consumo. Todo o mercado de eletrodomésticos soma R$ 180 bilhões. É menos da metade das bets. Existe uma drenagem muito grande do capital, o que leva ao endividamento. As famílias estão endividadas e a jogatina é um dos vetores. Isso deveria ser proibido. [O governo] pega o imposto, mas o que as famílias têm de dor de cabeça com isso e os pesadelos orçamentários, se o governo analisar, não compensam. Aí tem de fazer Desenrola…

Qual a percepção de marca que a Mondial busca com o consumidor? A base da pirâmide precisa de produtos bons, baratos e competitivos. Tem quem fale: “ah, vou vender para classe A”. Vai vender nada! O nosso negócio é atender a massa. É o volume. A Mondial atende a todos os segmentos e nossos equipamentos são desenhados para todos os públicos. Uma marca top de linha no mercado fatura R$ 1 bilhão por ano. Eu faturo R$ 7 bi. Somos da classe G. G de gente. Onde tem gente, estamos vendendo.

Há algum plano de verticalizar a produção com compra de outras empresas? Nós crescemos organicamente. Não gosto de comprar empresa porque vem com armário cheio de esqueleto. Não todas, mas acontece.

E IPO? De jeito nenhum! Não faz parte da nossa estratégia chegar mais gente aqui. Nosso aumento de market share é anual.

Qual a novidade, pensando em produtos, da Mondial? É um eletroportátil com motor sem escovas e com corrente contínua, uma nova linhagem de cuidados pessoais. A eficácia é enorme. Tem terras raras no rotor e ímãs permanentes. Esse motor começou a ser desenvolvido há três anos, mas agora ganhou escala e velocidade. Começa a reduzir custo e ficar viável. Era cinco vezes mais caro que o motor normal. Hoje, é duas vezes.


Raio-X

Giovanni Cardoso é nascido em Palmas, no Paraná. Formado em engenharia elétrica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, tem especializações em marketing e em programação neurolinguística. Passou por empresas nacionais e multinacionais de eletrônicos e eletroportáteis antes de fundar a Mondial em 2000. Também tem a marca Aiwa no Brasil.


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Fonte ==> Folha SP

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