Trump 2.0 transforma os EUA em fator de risco global, avalia a Eurasia

Trump 2.0 transforma os EUA em fator de risco global, avalia a Eurasia

Ler o resumo da matéria

A imagem dos EUA como garantidor da ordem global foi substituída por um papel de risco sob a administração Trump, que desmantela instituições como a OMC e a ONU. Jon Lieber, do Eurasia Group, destaca que o país agora age de forma transacional, formando alianças temporárias. O Canadá, por exemplo, busca diversificar parcerias para reduzir a dependência dos EUA.

O conflito no Oriente Médio e a capacidade logística americana estão em dúvida, com o mercado subestimando os custos econômicos. Lieber prevê que o petróleo pode ultrapassar US$ 150 por barril, beneficiando exportadores como Rússia e Venezuela.

Politicamente, a insatisfação com a inflação pode levar a uma volatilidade eleitoral, com os Republicanos em risco nas próximas eleições. Para 2028, o Partido Democrata pode ter um forte elenco, enquanto a independência do Federal Reserve deve se manter, apesar do cenário de dívida crescente.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Miami – A tradicional imagem dos Estados Unidos como o garantidor da ordem e da fluidez do comércio global ficou no passado. Sob o comando do presidente Donald Trump, o país é, agora, um dos seus principais fatores de risco.

Essa foi a tese central da conversa entre Jon Lieber, diretor de geopolítica do Eurasia Group; Arthur Wichmann, CIO da XP Inc.; e Paulo Leme, chairman do comitê global de asset allocation da XP Private Bank, durante a inauguração do novo escritório da XP International, na Brickell Ave, em Miami.

Para Lieber, a administração Trump 2.0 consolidou uma mudança sísmica na diplomacia. O país que liderou a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU) está “desmanchando” essa ordem.

“Você não vai voltar para o velho mundo da OMC ou da ONU resolvendo disputas. Vai ser sobre quem é poderoso e quem pode se safar”, disse Lieber.

Em vez de tratados de 30 anos, o mundo entrou na era dos special purpose vehicles (veículos de propósito específico), em que alianças são formadas e dissolvidas conforme o interesse imediato do mandatário da Casa Branca.

Em sua visão, os EUA deixaram explicitamente de ser os “provedores de bens públicos globais” para agir de forma puramente transacional, buscando extrair vantagens onde for possível.

Lieber descreveu o Canadá como exemplo. Para ele, os canadenses vivem um período dramático da política de Trump. “Eles se sentem traídos pelo seu melhor amigo”, afirmou o especialista.

Agora, os canadenses buscam parceiros como a Coreia do Sul para reduzir a dependência militar dos EUA e até permitem a entrada de veículos elétricos chineses para equilibrar o jogo.

Um dos pontos recentes mais controversos é o ataque contra o Irã, que tem feito o mercado errar os cálculos do custo econômico e geopolítico. Na conversa, Lieber refere-se ao conflito no Oriente Médio e ao otimismo – que ele chamou de ingênuo – dos investidores.

O mercado parece precificar uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz pelas forças americanas, mas a realidade operacional sugere o contrário.

Nos últimos dias, a capacidade dos EUA de escoltar navios foi colocada em dúvida devido a falhas críticas: o porta-aviões USS Gerald Ford precisou retornar para reparos e diversos navios patrulha americanos tiveram que se deslocar até a Malásia para manutenção.

“A flotilha com a qual os americanos contavam não está se reunindo de forma planejada”, disse Lieber.

O impacto econômico desse “apagão” logístico tem um preço alto. Mesmo no cenário mais otimista, a retomada total do comércio de energia não deve ocorrer antes de maio.

Isso coloca o petróleo em uma trajetória que pode ultrapassar os US$ 150 por barril, beneficiando exportadores como Rússia e Venezuela, enquanto asfixia as economias do Sudeste Asiático e da Europa.

“Trump dirá: ‘alcançamos nossos objetivos… vamos parar de bombardear. Esperamos que os iranianos deixem os navios saírem do Estreito em 72 horas. E se não deixarem, voltaremos e continuaremos bombardeando'”, projetou o managing director da Eurasia.

“Banco” Democrata

Passando da influência internacional para a política doméstica americana, Lieber argumenta que “vivemos em um mundo anti-incumbente”.

A insatisfação popular com a inflação – descrita como o maior “matador de governos” – sugere uma volatilidade eleitoral sem precedentes. Após episódios de inflação acima de 5%, a taxa de rotatividade em governos incumbentes chega a 80% globalmente.

Nesse cenário, os Republicanos enfrentam o risco real de serem “varridos” da Câmara nas próximas eleições de meio de mandato.

Para 2028, Lieber vê um Partido Democrata com um “banco de reservas profundo”, citando nomes como os governadores de Gretchen Whitmer, de Michigan; Jay Robert Pritzker, de Illinois; e Josh Shapiro, da Pensilvânia.

Já o nome de Gavin Newsom, frequentemente cotado, é visto como um passivo nacional devido à percepção de que a Califórnia é um estado “excêntrico” demais para o eleitor médio americano.

Sobre a economia, Lieber trouxe um alento moderado. A independência do Federal Reserve (Fed), que manteve a taxa básica de juros inalterada na reunião de quarta-feira, 18 de março, deve resistir, não por uma questão de honra, mas por sobrevivência política.

Quanto ao déficit e à dívida, o cenário é de um “cozimento lento”. O mercado só forçará uma mudança de comportamento quando perder a confiança na capacidade de financiamento dos EUA, elevando as taxas de juros a níveis que ele chama de punitivos.

Até lá, os líderes políticos devem continuar convivendo com o desequilíbrio, usando válvulas de escape como receitas de tarifas de importação.



Fonte ==> NEOFEED

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 + 1 = ?
Reload

This CAPTCHA helps ensure that you are human. Please enter the requested characters.