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PP rompe com Eduardo Leite e articula aliança bolsonarista – 03/02/2026 – Política

Homem de barba e cabelo curto, vestindo camisa branca e jaqueta preta, gesticula com as mãos próximas ao rosto em ambiente interno com parede clara ao fundo.

A reunião do diretório estadual do PP gaúcho, que indicou o desembarque do governo estadual e uma aliança com o PL para a disputa de outubro, marcou o distanciamento entre a direita e o governador Eduardo Leite (PSD) no Rio Grande do Sul.

Com o maior número de filiados e prefeituras no estado, o partido integrou as duas gestões de Leite, mas, após a indicação do diretório no último dia 20, a expectativa é de que deixe a base governista em breve.

A tendência é que o partido confirme em julho, em convenção, o apoio ao deputado federal Luciano Zucco (PL), líder da oposição na Câmara, na corrida ao Palácio Piratini.

Apesar do indicativo de aliança com o PL, o PP deve manter a candidatura ao governo do estado, e escolheu o nome do presidente estadual Covatti Filho, com 109 votos contra 8 do deputado Ernani Polo.

Entre março e abril, será realizada uma pesquisa para analisar o potencial eleitoral, a rejeição e a disputa em diferentes cenários, a fim de identificar qual candidatura tem mais condições de liderar o projeto. O partido que não encabeçar a chapa indicará a vaga de vice-governador e uma das vagas ao Senado.

A articulação inclui a possibilidade de indicação do vice e de um nome ao Senado pela chapa de direita, que hoje tem como pré-candidatos os deputados Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) —este último o único nome considerado garantido na disputa.

A decisão foi elogiada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, que defendeu a formação de um projeto unificado da direita para “resgatar a dignidade dos nossos irmãos gaúchos, que foram abandonados pela esquerda de Lula no momento em que mais precisavam”.

Leite disse que o PP tem legitimidade para buscar protagonismo e afirmou aguardar a oportunidade de se reunir com Covatti Filho para discutir a saída. O presidente estadual do partido disse que a sigla está se organizando internamente para elaborar um comunicado formal e marcar uma agenda para apresentar o posicionamento.

Crítico tanto de Jair Bolsonaro quanto de Lula, Leite busca se posicionar como uma referência antipolarização.

O presidente estadual do PP disse que entende o posicionamento do governador em um caminho de centro, mas não vê essa tendência entre os filiados.

“A gente está vendo que a eleição está se encaminhando para uma polarização muito grande, e a nossa base quer que o Progressistas tenha posicionamento. Em cima do muro não existe mais, não tem mais espaço dentro da política”, disse Covatti.

O governador gaúcho não esconde que tem ambições nacionais, mas disputa a vaga do PSD com o governador do Paraná, Ratinho Jr., e, desde a última semana, com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se filiou ao partido. A tendência, hoje, é que Leite dispute o Senado.

Atualmente, a prioridade é a construção da candidatura de seu sucessor, o vice-governador Gabriel Souza (MDB), que pode assumir o cargo em abril caso Leite renuncie para concorrer.

No diretório do PP, o alinhamento com a candidatura bolsonarista ficou evidente: a aliança foi aprovada com 107 votos, contra apenas 2 favoráveis a uma eventual composição com o MDB. Já a saída do governo contou com o apoio de 91 dos 120 votantes.

Uma sondagem interna do PP indicou que a base —prefeitos, vereadores e lideranças locais— majoritariamente prefere a construção de uma aliança de direita, sem necessariamente ter a cabeça de chapa.

“Eu fiz a pergunta: a nossa base gostaria de uma aliança competitiva ou uma candidatura própria? E 77% gostariam de uma aliança competitiva”, disse Covatti.

É uma mudança na postura de um partido que, nas últimas duas eleições, teve dificuldade em emplacar as ambições da base em assumir o protagonismo no estado.

Em 2018, o partido iria lançar Luis Carlos Heinze como candidato ao governo, mas abriu mão a contragosto devido a um acordo nacional entre partidos do centrão que colocou a então senadora Ana Amélia Lemos como vice de Geraldo Alckmin, à época no PSDB.

Em troca, o partido se aliou a Eduardo Leite, que também estava no PSDB, e Heinze acabou disputando o Senado, se elegendo.

Quatro anos depois, Heinze conseguiu viabilizar uma candidatura ao governo mas amargou o quinto lugar, desidratado pela preferência de Jair Bolsonaro a Onyx Lorenzoni (PL), que foi o mais votado no primeiro turno e perdeu de virada para Leite no segundo.

Hoje, Onyx está no PP, mas não foi citado no diretório como potencial candidato. Já Heinze ainda não bateu o martelo sobre as perspectivas políticas neste ano.



Fonte ==> Folha SP

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