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O BRB enfrenta uma crise de desconfiança no mercado, exacerbada pelo escândalo do Banco Master e questões judiciais que afetam seu plano de capitalização. Um juiz proibiu o uso de um imóvel como garantia para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, enquanto outra decisão suspendeu a lei que autorizava essa operação. Isso levou ao cancelamento de uma Assembleia Geral Extraordinária e afastou potenciais investidores, como bancos privados e o Fundo Garantidor de Crédito.
O banco não publica balanços financeiros há dois trimestres e depende de recursos de um liquidante, sem resposta até o momento. O Banco Central também demonstra rigidez em relação ao BRB, que pode enfrentar liquidação se não cumprir seu plano de capitalização.
A situação é crítica, com um rombo estimado em mais de R$ 8 bilhões e descontentamento no Conselho de Administração, resultando em desistências de conselheiros.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília – Mergulhado no escândalo do caso do Banco Master, o BRB está envolto também numa crise de desconfiança com o mercado, que tem dado sinais nos bastidores de insegurança jurídica e baixo apetite de participar do plano de capitalização do banco público de Brasília, que agora vem sendo questionado na Justiça em várias frentes, segundo informações obtidas pelo NeoFeed.
O banco público de Brasília vive um drama judicial: há menos de 24 horas, um juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal proibiu o Governo do Distrito Federal (GDF) de usar um dos nove imóveis usados como garantia para a capitalização do BRB, uma área de proteção ambiental conhecida como “Serrinha do Paranoá”.
Antes disso, na semana passada, o mesmo Tribunal suspendeu a lei, aprovada pela Câmara Legislativa do DF e sancionada pelo governador, Ibaneis Rocha (MDB), que justamente autorizou o BRB a usar esses imóveis como garantia para tomar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, como parte da tentativa de recuperação de capital.
Mais tarde, porém, outro juiz retirou a suspensão, mas somente até que a Corte julgue o mérito da ação movida por ex-governadores do DF, como o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), que inclusive protocolou uma CPI no Congresso para investigar o caso Master. A situação levou o banco inclusive a cancelar uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para o último dia 17 de março para tratar do aumento de capital social do banco.
Todo esse cenário, na leitura de duas fontes da cúpula do BRB, afasta potenciais investidores sondados pelo presidente do banco estatal, Nelson de Souza, para tentar salvar o banco. Como é o caso de bancos privados e do próprio Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que já foi sondado por Souza para um eventual empréstimo.
Essa situação também torna cada vez mais incerta a publicação do balanço financeiro do BRB referente a 2025, que precisava sair até o dia 31 de março. E até o momento, isso não deve acontecer. O banco não publica balanço há dois trimestres – o último disponível é do segundo trimestre do ano passado.
O balanço depende tanto do sucesso do plano de capitalização quanto de uma resposta do liquidante do Banco Master, que até agora não sinalizou ao BRB sobre o fluxo financeiro das carteiras de crédito adquiridas do banco de Daniel Vorcaro.
O banco público de Brasília entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para receber esses recursos de posse do liquidante, mas segundo o NeoFeed apurou até agora o banco não obteve uma resposta, uma vez que o inquérito é sigiloso. O relator do caso na Suprema Corte é o ministro André Mendonça.
Procurado, o BRB não respondeu aos pedidos de informação feitos pela reportagem.
A leitura interna no BRB também é que, se não bastasse a dificuldade de negociar a venda desses imóveis ou usá-los como garantia para um empréstimo, o Banco Central estaria “pouco propenso” a facilitar para o banco público. A autoridade monetária vem dando sinais de rigor à instituição financeira e não cogita esticar prazos para cumprimento do plano de capitalização.
“Se não cumprir plano de solução, o BC tem que liquidar o banco. Se ficar com Basileia [índice que estabelece regras ao sistema financeiro internacional] abaixo do regulamentar, sem liquidez, tem que liquidar”, pondera uma fonte do BRB.
A liquidação do BRB seria a medida mais drástica e por enquanto, no entanto, ainda não é cogitada pela direção do banco e nem por técnicos do BC que acompanham a situação.
Histórico do rombo
Após uma tentativa mal sucedida de comprar parte do Master, o BRB foi alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em novembro de 2025, que revelou um suposto esquema de fraudes de mais de R$ 12 bilhões. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia Jr, foram afastados de suas funções.
Desde então, o novo presidente Nelson de Souza promoveu diversas mudanças no comando do banco estatal. E vem tentando conduzir um plano de capitalização da instituição, que foi entregue ao BC no início de 2026 para evitar que o GDF, controlador do banco, faça grandes aportes de recursos públicos para cobrir o rombo causado pelo escândalo do Master.
O tamanho do rombo, que já foi estimado em R$ 6 bilhões, agora ultrapassa R$ 8 bilhões, segundo o próprio presidente.
O clima de tensão e queda de reputação no banco, entretanto, preocupam. Já houve baixas no Conselho de Administração, com desistências de nomes indicados pelo GDF.
Até Edison Garcia, que preside a Companhia Energética de Brasília (CEB), indicado para ser o possível futuro presidente do colegiado desistiu de assumir o cargo de conselheiro – Garcia chegou a presidir o conselho em outra oportunidade.
Somente em 2026, a ação BSLI4 acumula queda de 43% na B3, ante uma alta de 16% do Ibovespa. O valor de mercado do BRB é de R$ 2,1 bilhões.
Fonte ==> NEOFEED