Na Embraer, tarifas impactam balanço, mas empresa vê horizonte menos turbulento

Na Embraer, tarifas impactam balanço, mas empresa vê horizonte menos turbulento

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A Embraer enfrentou impactos significativos devido ao tarifaço imposto por Donald Trump, resultando em um lucro líquido ajustado de R$ 1,36 bilhão em 2025, uma queda de mais de 47% em relação a 2024. As tarifas de importação causaram um impacto de US$ 27 milhões no trimestre e US$ 54 milhões no ano.

Contudo, a decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar essas tarifas em fevereiro deste ano trouxe uma perspectiva mais otimista para 2026.

Apesar desses impactos, a empresa reportou uma receita líquida recorde de R$ 41,8 bilhões, com crescimento em todas as unidades de negócios. A Embraer entregou 91 aeronaves no trimestre e 244 no ano, com uma carteira de pedidos firmes de US$ 31,6 bilhões.

Para 2026, a empresa projeta entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e 160 a 170 executivas, com receita líquida entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Como já havia previsto no seu plano de voo para o segundo semestre de 2025, a Embraer contabilizou impactos do tarifaço imposto por Donald Trump no ano passado ao divulgar seu balanço consolidado do período nesta sexta-feira, 6 de março.

Entre outros números, a companhia reportou um lucro líquido ajustado de R$ 1,36 bilhão, o que representou uma queda de mais de 47% sobre o número de 2024. No quarto trimestre, o recuo foi de 20,4%, para US$ 832 milhões.

Ao divulgar esses e outros indicadores, a Embraer ressaltou que as tarifas de importação dos Estados Unidos trouxeram um impacto de US$ 27 milhões, no trimestre, e de US$ 54 milhões no decorrer do ano. Agora, porém, a empresa enxerga um cenário, a princípio, menos turbulento nessa esfera.

A razão para essa visão mais otimista veio a partir da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas colocadas por Trump, que foram consideradas ilegais. A medida foi anunciada em 20 de fevereiro, o que abriu a perspectiva desse calendário mais favorável para a fabricante brasileira.

“A decisão foi muito positiva”, afirmou Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, em call com analistas na manhã de hoje. “Nós gostamos que as regras sejam justas. A Embraer era a única fabricante que estava pagando tarifas de importações. Esse desfecho vai beneficiar os clientes americanos.”

Neto também confirmou que a empresa está isenta da nova tarifa de 10% imposta por Trump após o anúncio da decisão da Suprema Corte americana. E observou que a companhia ainda tem um pouco de estoque de peças que foram submetidas a essas tarifas, mas que isso será gerenciado ao longo do ano.

Na esteira dessas tarifas, que entraram em vigor em abril de 2024, a Embraer informou ter desembolsado um total de US$ 80 milhões, dos quais, cerca de 85% estavam ligados à divisão de aviação executiva e, o restante, na unidade de serviços e suporte.

“Desde o dia 24 de fevereiro, voltamos à tarifa zero”, disse Antônio Garcia, CFO da Embraer, que ressaltou, porém, a cautela diante das idas e vindas sobre esse tema nos EUA. “Ainda é muito nebuloso o que vai acontecer daqui para frente.”

Ao mesmo tempo, os executivos observaram que a Embraer está monitorando as iniciativas de seus pares no que diz respeito à busca por recuperar os valores pagos no tarifaço para entender se seguirá o mesmo roteiro.

Em paralelo a essas questões – e apesar dos seus impactos – o balanço da Embraer não trouxe apenas más notícias. A empresa reportou, por exemplo, uma receita líquida recorde de R$ 41,8 bilhões em 2025, com alta anual de 18,2%.

No detalhe desses indicadores, a companhia observou que todas as suas unidades de negócios tiveram um bom desempenho no ano, com destaque as divisões de Defesa & Segurança, Aviação Executiva e Serviços & Suporte, cujas receitas cresceram, respectivamente, 36%, 24% e 21%.

Em outra ponta, a companhia contabilizou a entrega de 91 aeronaves no trimestre, sendo 32 jatos comerciais e 53 jatos executivos. No ano, as entregas totalizaram 244 aeronaves, divididas entre 78 jatos comerciais, 155 jatos executivos, além de 11 em Defesa & Segurança.

Já a carteira total de pedidos firmes somou US$ 31,6 bilhões no quarto trimestre, um crescimento de 20% sobre o montante apurado em igual período, um ano antes, e o maior valor já registrado pela empresa em sua história.

Em compensação, sob impactos das tarifas, o Ebitda ajustado trimestral ficou em R$ 1,6 bilhão, contra R$ 1,9 bilhão no mesmo período de 2024. O Ebitda ajustado de 2025, por sua vez, foi de R$ 4,9 bilhões, ante os R$ 5,1 bilhões registrados no ano anterior.

O balanço incluiu ainda a divulgação do guidance para 2026. A empresa projeta entregar entre 80 e 85 aeronaves na divisão de aviação comercial. Na unidade de aviação executiva, a estimativa é entregar 160 a 170 aeronaves.

A fabricante também prevê que a receita líquida fique entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, com uma margem operacional ajustada na faixa de 8,7% a 9,3%, além de um fluxo de caixa livre ajustado, excluindo a Eve, de US$ 200 milhões ou mais no ano.

“É importante destacar que essas estimativas refletem nossa avaliação antes do dia 20 de fevereiro”, disse Garcia. “No momento, estamos adotando uma postura mais conservadora e preferimos aguardar um pouco mais de visibilidade antes de qualquer alteração nas projeções.”

As ações da Embraer recuavam 3,33% na B3 por volta das 11h10, cotadas a R$ 84,26. No acumulado de 2026, os papéis registram uma desvalorização de 4,8%, dando à fabricante um valor de mercado de R$ 60,9 bilhões.



Fonte ==> NEOFEED

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