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O governo brasileiro discute o fim da “taxa das blusinhas”, que impõe uma tarifa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, visando equilibrar a competição entre varejistas locais e plataformas asiáticas.
A medida, que entrou em vigor em agosto de 2024, impactou negativamente as vendas de C&A, Renner e Riachuelo, enquanto a Shein se beneficiou.
O BTG Pactual alerta que a revisão da taxa pode pressionar os preços e afetar a receita das varejistas brasileiras, apesar de oferecer alívio ao consumidor. A pesquisa do banco mostra que a Shein é significativamente mais barata que as varejistas locais.
O cenário econômico, com altas taxas de juros e endividamento das famílias, limita o poder de compra e pressiona o consumo.
As ações da Renner valorizam em 2026, enquanto C&A e Guararapes enfrentam desvalorização.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Sem Fernando Haddad no Ministério da Fazenda como escudo e com a necessidade de melhorar os índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do período eleitoral, o Planalto avança na discussão para acabar com a “taxa das blusinhas” – o imposto de importação para produtos de até US$ 50.
A ideia, à época, era garantir um patamar mais isonômico frente ao avanço das plataformas asiáticas em relação às companhias brasileiras, que consideravam desequilibrado o mercado de moda, principalmente em relação à pequenas compras e de custo menor. Se o programa Remessa Conforme, nome oficial da iniciativa do governo, for revisto, C&A, Renner e Riachuelo devem ser impactadas. E a Shein deve ser beneficiada.
Para o BTG Pactual, qualquer mudança em torno da medida causará impacto na receita das principais varejistas brasileiras de moda, ainda que isso possa representar um alívio no bolso do consumidor, que faz suas compras internacionais pela internet.
“Por um lado, a redução da alíquota de importação visa melhorar a percepção de renda da população ao reduzir os preços de itens importados de baixo valor; por outro lado, a medida representaria uma ameaça ao ambiente competitivo para os varejistas domésticos”, diz o relatório do banco.
Na avaliação de Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendom, a revisão da taxa das blusinhas será negativa para os varejistas brasileiro porque deve trazer uma pressão sobre os preços, ainda que menor do que o cenário observado no passado, antes da medida entrar em vigor.
Com a tarifa em vigor, o volume de remessas internacionais caiu de forma significativa, com uma redução inicial de 11%. Antes da medida, eram cerca de 18 milhões de pacotes por mês. Em dezembro de 2024, já sob a regra do governo federal, este montante caiu para 11 milhões por mês.
A questão é que, nos últimos meses, as plataformas se recuperaram e, agora, os volumes de importação já estão bem próximos dos níveis pré-imposto, com remessas mensais entre 15 milhões e 17 milhões de pacotes.
“Apesar dos desafios enfrentados por players estrangeiros no Brasil ao longo das últimas décadas (incluindo a introdução de impostos de importação), ainda vemos a maioria das empresas expostas a consumidores de renda média/baixa enfrentando uma competição mais intensa de plataformas internacionais e com poder limitado de precificação.”
Essa dinâmica, na visão dos analistas do BTG Pactual, afeta diretamente os negócios de Renner, C&A e a Guararapes, controladora da Riachuelo. Fato é que hoje, ainda com a taxa das blusinhas, os preços praticados pelas asiáticas ainda são menores.
Pesquisa feita pela instituição financeira mostra que, na comparação de uma cesta com oito produtos entre as varejistas nacionais e a Shein, a plataforma chinesa é 6% mais barata que a Riachuelo, 10% mais barata que a Renner e 13% mais em conta que a C&A. De qualquer forma, a distância diminuiu em relação à última pesquisa do BTG, mas ainda é bem representativa.
Neste sentido, o banco enxerga três fatores que podem impactar a receita das empresas de fast fashion no Brasil daqui para a frente. No primeiro ponto, a magnitude da pressão sobre preços dependerá de a revogação ser parcial ou total e, em um cenário mais extremo, se incluiria também o ICMS incidente sobre esses produtos.
A segunda questão é que os players locais se tornaram mais competitivos e mais ágeis na resposta à concorrência, com investimentos relevantes voltados à melhoria da assertividade de produtos.
O terceiro ponto é que, por outro lado, o posicionamento das plataformas também não permaneceu estático, refletindo um maior número de vendedores domésticos e investimentos em infraestrutura logística local.
Nesta perspectiva, o BTG entende que a alta renda segue mais protegida deste cenário macro. Enquanto isso, a concorrência do e-commerce e de players internacionais continua limitando a alavancagem operacional das empresas estabelecidas no setor.
“As altas taxas de juros continuam corroendo a renda disponível, enquanto o ainda elevado nível de endividamento das famílias restringe o poder de compra. Esse cenário é agravado pela inflação acumulada nos últimos anos, que elevou estruturalmente os níveis de preços e reduziu a acessibilidade real.”
Com isso, o banco precifica um cenário mais pessimistas para o consumo no curto prazo no Brasil, especialmente no primeiro semestre deste ano.
No acumulado do 2026, as ações da Renner na B3 registram valorização de 8,7%. No mesmo período, a C&A opera em queda de 5,6%, e a Guararapes, desvalorização de 4,2%.
O valor de mercado da Renner é de R$ 14,7 bilhões. A Guararapes vale R$ 4,6 bilhões, e a C&A, R$ 3,7 bilhões.
Fonte ==> NEOFEED