A única questão filosófica relevante é a morte.

Meu amigo é voluntário na CVV – Centro de Valorização da Vida e testemunhava diariamente que as pessoas não desistem quando os problemas se acumulam, mas sim quando perdem a capacidade de reagir — quando a esperança cede lugar à dormência terminal.

Nessa conversa lembrei-me de  um termo pouco usual, a acrisia.

A acrisia é quando o organismo não reage diante de, por exemplo, uma infecção severa ou coisas que o estão atacando. Não esboça respostas: nenhuma febre, nem dor aguda, nada.

Há apenas a rendição silenciosa dos órgãos.  

É como se o corpo estivesse renunciando ao conflito,   aceitando a própria derrota.

 Quando aplicado à economia, o conceito é preciso e direto.

Uma crise não é uma enfermidade real; é uma resposta do corpo econômico buscando eliminar distorções, desperdícios e alocações artificiais de capital.

O verdadeiro risco nunca esteve na fricção do mercado — sem essa fricção, a roda não se move —, mas sim na acrisia: a apatia de uma nação dirigida pelo vício governamental do endividamento público.

 O estado atual se aproxima de maneira alarmante dessa situação.

Em meio ao aumento do déficit fiscal e à desvalorização da moeda, o debate público se esquiva de enfrentar a realidade a qualquer custo.

A realidade é que para “voltar à vida”, a economia precisa de remédios eficazes, porém amargos.    

Em vez de permitir os ajustes necessários — como por exemplo a redução dos privilégios estatais e a eliminação da super regulamentação de tudo — nosso governo central aplica sedativos populistas que prolongam o definhamento para adiar a dor momentânea dos ajustes.

Parece que como nação temos preferido a febre mascarada por antitérmicos à cura real da infecção fiscal.

A sabedoria contida na Bíblia, assim como o bom senso, alertam que não há árvore que dê frutos saudáveis se suas raízes estão murchando na mentira.

Um país não prospera ao gastar recursos que não possui e divulgar ilusões financeiras.

Uma crise que revela o erro é essencial tanto do ponto de vista pedagógico quanto moral: ela castiga a incapacidade e permite a verdadeira inovação empreendedora.

Por isso penso que como nação, precisamos — pelo trabalho honesto, pela firmeza de caráter e pela coragem produtiva — recusar a anestesia e lutar pela própria reconstrução.

E nós? Eu e você, leitor? Como vamos passar por este momento? Vamos enxergar oportunidades ou entrar na acrisia?

Se não houver vento, vamos remar. Se tiver, vamos ajustar as velas.

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