Marcada pela experiência na pandemia e pela história da mãe com demência, médica transforma sua visão sobre autonomia em livro e educação para mulheres.
A trajetória da médica Anelize Feldberg aproximou duas experiências que mudariam sua maneira de pensar o cuidado: acompanhar pessoas em situações críticas na terapia intensiva e vivenciar, como filha, a perda progressiva de autonomia da mãe com demência.
No hospital, o tempo podia se tornar urgente. Dentro de casa, capacidades presentes em gestos cotidianos ganhavam outro significado. Dessas experiências nasceu a pergunta que orienta o Muita Vida Pela Frente: como ajudar mulheres a pensar na saúde enquanto ainda estão construindo seus próximos anos?
A missão que Anelize desenvolve é ampliar essa conversa. Dar espaço para que mulheres compreendam mudanças, reconheçam necessidades e incluam o próprio futuro nas decisões do presente.
O livro editorial Muita Vida Pela Frente e o curso de mesmo nome são caminhos para levar essa visão a outras pessoas. O projeto reúne assuntos que frequentemente aparecem separados: menopausa, sono, força muscular, sexualidade, cérebro e identidade. A ligação entre eles está na vida que a mulher deseja continuar vivendo.
O que pretende fazer nos próximos anos? Que dificuldade está adiando? Que pergunta precisa levar à consulta? Que parte de si ficou sem espaço na rotina?
Para organizar essa reflexão, Anelize desenvolveu o Método Próxima Década, uma estrutura educativa composta por cinco etapas: Agora, Risco, Função, Vitalidade e Futuro. O percurso começa pela observação da realidade atual e chega à escolha de prioridades. O método ajuda a organizar perguntas e objetivos; as decisões clínicas permanecem vinculadas à avaliação individual.
No curso, a jornada está distribuída em quatro módulos e 12 aulas, acompanhadas pelo Caderno Muita Vida. Os exercícios procuram aproximar informação e aplicação cotidiana. Uma participante pode reconhecer uma mudança que deseja discutir com um profissional, organizar melhor suas dúvidas ou identificar uma experiência que gostaria de retomar. A trajetória pessoal dá origem à proposta, mas o centro do trabalho é a mulher que recebe o conteúdo.
Uma das frases do projeto resume essa escolha de linguagem: “Seu corpo mudou. Você não estragou”. A intenção é abrir espaço para compreender transformações sem fazer delas uma condenação sobre a própria identidade. Anelize propõe que a mulher continue se percebendo como alguém com desejos, interesses e futuro.
É essa visão que conecta livro, curso e método: ajudar mulheres a participar das conversas sobre a própria saúde e a reconhecer que a próxima década também merece planejamento.

