Às vésperas da eleição, Lula correu atrás dos empreendedores

Depois de passar quatro anos sem dar prioridade à pauta dos pequenos empreendedores, Lula (PT) lançou um pacote de benefícios para a categoria a poucos dias do segundo turno, em uma ofensiva de apelo populista que pode ter favorecido sua campanha à reeleição.

Sancionado em 21 de outubro, o programa Prospera MEI alcança cerca de 3,6 milhões de microempreendedores individuais. O pacote prevê o perdão de dívidas com a União, a ampliação do limite de faturamento e facilidades para a contratação de crédito e o acesso a compras públicas. Lula também acenou com um Pix de até R$ 5 mil para investimentos nos negócios e com a renegociação de dívidas bancárias.

As duas últimas iniciativas ainda dependem de regulamentação. Já a renúncia fiscal estimada com o perdão das dívidas soma R$ 3,04 bilhões entre 2027 e 2029. Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o conjunto de medidas de apelo popular e econômico pode ter favorecido eleitoralmente o presidente.

“Lula trabalhou com a máquina pública, tomando medidas de elevado apelo popular e político”, avalia o cientista político Leandro Gabiati, da consultoria Dominium. “Pode-se questionar, do ponto de vista ético e moral, seu uso em benefício próprio, mas a lógica da política é que, se o governante não usa a máquina, perde a eleição. Se usa, tem chances de se reeleger.”