Rivalidade EUA-China abre espaço para Brasil exportar mais

O avanço das exportações agrícolas brasileiras para a China, impulsionado pela guerra comercial com os EUA, é uma das principais oportunidades abertas ao Brasil pela rivalidade entre as duas maiores economias do mundo, avalia o economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Troyjo cita que o país se aproxima dos Estados Unidos na disputa pela liderança global das exportações agrícolas, tendo atingido no último ano um total de US$ 169,2 bilhões — apenas US$ 2 bilhões abaixo dos US$ 171 bilhões norte-americanos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA e do Ministério da Agricultura do Brasil.

Em entrevista à Gazeta do Povo, durante o evento “Money Week 2026″*, realizado em Balneário Camboriú (SC), Troyjo disse que o mundo vive uma espécie de “guerra fria 2.0” entre Estados Unidos e China, mas considera que o grau de interdependência entre as duas potências ainda é bem vasto.

“A corrente comercial entre Estados Unidos e China, mesmo hoje, com todo esse protecionismo, é de praticamente 1,8 bilhão de dólares a cada 24 horas”, afirma. Ele lembra que entre 2001 — ano em que a China entrou na Organização Mundial do Comércio — e 2019 — início da pandemia de Covid-19 — os Estados Unidos foram o principal destino do investimento direto chinês no exterior, enquanto a China foi o principal destino do investimento direto norte-americano.