A MBRF tem buscado se precaver de riscos climáticos para as safras de soja e milho associados a um El Niño forte realizando compras antecipadas de grãos por meio de contratos a termo, afirmou o diretor vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia da empresa, José Ignácio Scoseria Rey, nesta sexta-feira (14).
“Estamos tomando posições longas em grãos, não necessariamente com compras físicas, mas contratos a termo”, afirmoy Rey, durante teleconferência para comentar os resultados trimestrais, anunciados no dia anterior.
A gigante do setor de produção de aves e suínos é também grande compradora de soja e milho para a produção de ração. “A companhia está buscando mitigar riscos assegurando o nível de preços que estamos vendo neste ano”, destacou o diretor.
Ele disse que a empresa vai continuar alongando sua posição, ficando menos exposta a eventuais altas de preços por possíveis impactos de intempéries ligadas ao esperado El Niño forte nos próximos meses.
Mas ele reforçou que as transações não necessariamente são “compras físicas”, e que assim isso não significa dispêndio de capital de giro. “Não necessariamente vai refletir em consumo de capital de giro maior no segundo semestre”, destacou Rey.
O El Niño geralmente traz mais chuvas para o Sul do Brasil, o que não seria um problema para safras. Mas algumas regiões ao norte do país geralmente enfrentam períodos de seca e temperaturas mais elevadas, o que poderia comprometer a produção na temporada 2026/27, com plantio iniciado em meados de setembro.
O Brasil deverá fechar a safra 2025/26, com a colheita do milho de inverno caminhando para o final, com números recordes.
A empresa também informou que projeta reduzir em pelo menos R$ 1 bilhão o capex de manutenção em 2027 em relação a 2026, para uma faixa de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões, após um ciclo de investimentos mais fortes anteriormente, disseram executivos da companhia de alimentos nesta sexta-feira.
“Temos uma situação muito favorável que permite uma previsão de menor capex para 2027, porque os investimentos que fizemos nos últimos quatro anos nos permitem esse conforto… e permitem que a companhia siga crescendo”, destacou o CEO da companhia, Miguel Gularte.
A redução dos investimentos, associada a outras ações, poderia ajudar a companhia a reduzir a sua alavancagem, que subiu para 3,41 vezes a dívida líquida/Ebitda ajustado no segundo trimestre, ante 2,74 vezes no mesmo período do ano passado.
A maior parte dos investimentos, de até R$ 3 bilhões, seria no segmento da BRF, que inclui carne de aves, suínos e alimentos processados, e o restante seria investido no segmento de bovinos, nas operações dos EUA e na América do Sul.
Rey observou ainda que o capex da companhia no segundo semestre deverá ser próximo dos R$ 2,5 bilhões registrados na primeira metade do ano, somando cerca de R$ 5 bilhões em 2026.
“Seria 5 bilhões anualizado. Já é menor do que os R$ 6,2 bilhões nos últimos 12 meses. E estamos tomando todas as ações para chegar ao patamar mais baixo, para reduzir outro bilhão em 2027”, disse.
A redução dos investimentos é uma das possibilidades que deverão permitir a redução da alavancagem da companhia, disse o vice-presidente, citando ainda uma melhora das condições de mercado e da oferta de gado para a operação nos Estados Unidos.
A baixa oferta de animais na operação dos EUA, que eleva os custos da matéria-prima, tem desafiado a MBRF e outras empresas do setor.
Ele disse que os ganhos de eficiência e as sinergias da fusão da BRF com a Marfrig, que formou a MBRF, também tendem a liberar recursos para a redução da alavancagem, assim como os retornos esperados para o segundo semestre, após a companhia ter consumido capital de giro no segundo trimestre para garantir estoques no Oriente Médio, onde os desafios logísticos se ampliaram com a guerra no Irã.
“Com isso, vamos trazendo gradualmente a alavancagem para baixo”, disse o vice-presidente da MBRF.
Ele citou ainda pagamentos a receber de uma parceria com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, para a formação da Sadia Halal, além do próprio IPO da unidade no Oriente Médio, que pode acontecer a partir de 2027, dependendo das condições do mercado.
Os resultados recordes da Sadia Halal reforçam o potencial de uma futura IPO (oferta pública inicial de ações) da unidade da MBRF voltada ao Oriente Médio, afirmou Gularte, CEO da companhia.
“A Sadia Halal performou um resultado que foi o dobro do ano anterior, o que nos deixa muito bem posicionados para o futuro IPO… com certeza vai ser um êxito para a Sadia Halal”, disse o executivo em teleconferência para comentar os resultados do segundo trimestre da MBRF.
O comentário ocorreu após a Sadia Halal mais do que dobrar seu Ebitda ajustado no trimestre, para US$95 milhões, impulsionado por preços mais elevados em meio aos efeitos da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.
A margem Ebitda ajustada avançou 6,9 pontos percentuais na comparação anual, para 16,1%, à medida que a empresa priorizou o abastecimento da região e ampliou estoques.
A MBRF anunciou anteriormente um acordo com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, como parte dos preparativos para um IPO da plataforma de produção e distribuição da Sadia Halal no Oriente Médio a partir de 2027.
Fonte ==> Folha SP

