Conheça o cientista que há quatro décadas decifra a poluição atmosférica

Ao longo das últimas quatro décadas, Gregory Carmichael tornou-se uma referência no estudo da qualidade do ar, da química atmosférica e do clima, através do seu trabalho pioneiro em modelos de transporte químico, que acompanham a deslocação e transformação de poluentes na atmosfera.

No âmbito do simpósio do Programa de Vigilância da Atmosfera Global, GAW, coordenado pela Organização Meteorológica Mundial, OMM, o cientista atmosférico refletiu sobre as mudanças científicas e a integração da inteligência artificial, IA, no futuro deste domínio da ciência.

OMM/J Feast
Um balão meteorológico é preparado para lançamento em uma estação australiana na Antártica

Modelos desvendam a formação da poluição

Professor da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, ele explica que, desde a década de 1970, os meteorologistas, climatólogos e físicos atmosféricos têm se dedicado a compreender os impactos da atividade humana na atmosfera e na qualidade do ar.

Perante a crescente evidência de que a atividade humana poderia ter impactos não só locais, mas também a longa distância, a comunidade científica desenvolveu novos modelos e métodos para compreender o problema e encontrar soluções mais adequadas.

Um destes exemplos é o já mencionado modelo de transporte químico. Carmichael sublinha a centralidade destes instrumentos na gestão da qualidade do ar, ao decifrarem as ligações explícitas entre a emissão de gases e os principais focos de formação da poluição atmosférica.

Previsões que podem salvar vidas

O investigador nota ainda o potencial deste modelo na previsão de episódios de poluição. 

Segundo ele, a previsão da qualidade do ar pode funcionar como um aviso antecipado, permitindo a adoção de medidas de contenção por parte das autoridades para proteger a saúde pública.

Ainda recentemente, a adoção da IA neste ramo científico veio aprimorar as capacidades dos modelos de transporte químico, desde o processo de medição atmosférica até à análise de dados e à construção de modelos.

Para o investigador, a integração de ferramentas de IA constitui uma nova oportunidade. Ele explica que a coordenação de dados de alta qualidade será utilizada para treinar modelos de IA mais sofisticados, contribuindo para a criação de novos sistemas e modelos científicos.

© NASA
Os totais de precipitação de um dia, obtidos pelo produto de precipitação multissatélite IMERG da NASA, mostram chuvas intensas sobre a região central do Texas em 4 de julho de 2025.

Avanço universal depende de iniciativas coletivas

O cientista lembra que os principais desafios ligam-se agora ao sistema de observação, face à persistência de lacunas na representação de várias regiões do mundo nas redes globais de observação atmosférica.

O investigador espera que novas iniciativas, como as promovidas no âmbito do GAW, consigam impulsionar o avanço científico coletivo, pese embora as limitações de recursos financeiros e humanos.

Quando questionado sobre o futuro da ciência atmosférica, o cientista declara-se otimista, sublinhando a importância do estudo da poluição atmosférica para a sociedade contemporânea.



Fonte ==> United Nations

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