Robô derrota humanos de alto nível no tênis de mesa – 22/04/2026 – Esporte

Robô equipado com raquete vermelha em braço mecânico executa movimento para rebater bola laranja em mesa de tênis de mesa. Homem em camiseta azul observa a ação do robô. Fundo com texto parcial

Um robô autônomo jogador de pingue-pongue, apelidado de Ace, alcançou um marco para a IA e a robótica em Tóquio ao competir e, em alguns casos, derrotar jogadores humanos de alto nível no tênis de mesa, um feito que pode prenunciar uma série de outras aplicações para robôs igualmente habilidosos.

O Ace, criado pela divisão de pesquisa em IA da empresa japonesa Sony, é o primeiro robô a atingir desempenho de nível profissional em um esporte físico competitivo, que exige decisões rápidas e execução precisa, disse o líder do projeto. O Ace conseguiu isso empregando percepção de alta velocidade, controle baseado em IA e um sistema robótico de última geração.

Existem vários robôs jogadores de tênis de mesa desde 1983, mas até agora eles não conseguiam rivalizar com competidores humanos altamente qualificados. O Ace mudou isso com seu desempenho contra jogadores humanos de nível de elite e profissionais em partidas seguindo as regras da Federação Internacional de Tênis de Mesa, o órgão regulador do esporte, e arbitradas por juízes licenciados.

“Ao contrário dos jogos de computador, onde os sistemas de IA anteriores superam especialistas humanos, esportes físicos e em tempo real, como o tênis de mesa, continuam sendo um grande desafio em aberto devido à necessidade de interações rápidas, precisas e competitivas perto de obstáculos e no limite do tempo de reação humano”, disse Peter Dürr, diretor da Sony AI Zurich e líder do projeto Ace da Sony AI.

O objetivo do projeto não era apenas competir no tênis de mesa, mas também desenvolver insights sobre como os robôs podem perceber, planejar e agir com velocidade e precisão semelhantes às humanas em ambientes dinâmicos, disse Dürr.

“O sucesso do Ace, com seu sistema de percepção e algoritmo de controle baseado em aprendizado, sugere que técnicas semelhantes poderiam ser aplicadas a outras áreas que exigem controle rápido em tempo real e interação humana —como robótica de manufatura e serviços, bem como aplicações em esportes, entretenimento e domínios físicos críticos para a segurança”, disse Dürr, autor principal de um estudo descrevendo as conquistas do Ace publicado nesta quarta-feira (22) na revista Nature.

Em partidas detalhadas no estudo, o Ace venceu três de cinco partidas contra jogadores de elite em abril de 2025 e perdeu duas partidas contra jogadores profissionais, o nível mais alto de habilidade no esporte. A Sony AI disse que, desde então, o Ace derrotou jogadores profissionais em dezembro de 2025 e no mês passado.

Empresas em todo o mundo estão avançando com robôs. No domingo, por exemplo, robôs superaram corredores humanos em uma meia-maratona em Pequim.

“Um borrão para o olho humano”

Sistemas de IA já se destacaram em domínios digitais em jogos de estratégia como xadrez e Go e em videogames complexos.

Enquanto os videogames acontecem em ambientes simulados, o tênis de mesa exige tomada de decisão rápida, execução física precisa e adaptação contínua a um oponente imprevisível, disse Dürr. A bola se move em altas velocidades com rotações e trajetórias complexas, levando humanos e robôs a operar nos limites de percepção, previsão e controle motor, disse Dürr.

A arquitetura do Ace integra nove câmeras sincronizadas e três sistemas de visão para rastrear uma bola girando com precisão excepcional e tempo de processamento veloz.

“Isso é rápido o suficiente para capturar movimentos que seriam um borrão para o olho humano”, disse Dürr.

Os pesquisadores desenvolveram uma plataforma robótica personalizada com oito articulações. Este era, disse Dürr, o número mínimo necessário para executar golpes competitivos: três para a posição da raquete, duas para sua orientação e três para a velocidade e força do golpe.

Mayuka Taira, jogadora profissional de tênis de mesa que perdeu uma partida para o Ace em dezembro passado, disse, em comentários fornecidos pela Sony AI, que os pontos fortes do robô “são a dificuldade de prever seus movimentos e a ausência de emoções”.

“Como não é possível ler suas reações, é impossível perceber que tipo de golpes ele não gosta ou com que tem dificuldades, o que torna ainda mais difícil jogar contra ele”, disse Taira.

Rui Takenaka, um jogador de elite que já venceu e perdeu partidas contra o Ace, comentou: “Quando se tratava do meu saque, se eu usasse um saque com efeito complexo, o Ace também devolvia a bola com efeito complexo, o que dificultava as coisas para mim. Mas quando eu usava um saque simples —o que chamamos de saque sem efeito— o Ace devolvia uma bola mais simples. Isso facilitava o meu ataque no terceiro golpe, e acho que essa foi a principal razão pela qual consegui vencer.”

O Ace tem espaço para melhorias, disse Dürr.

“O Ace tem uma capacidade sobre-humana de ler a rotação das bolas que chegam e um tempo de reação sobre-humano. Como ele aprende a jogar não observando humanos jogarem, mas sendo treinado sozinho em simulação, ele também reage de forma diferente dos jogadores humanos e cria situações surpreendentes”, disse Dürr.

“Ao mesmo tempo, atletas humanos profissionais são muito bons em se adaptar ao oponente e encontrar fraquezas, que é uma área na qual estamos trabalhando”.



Fonte ==> Folha SP

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