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Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer desde 2019, enfrentou intensas negociações sobre tarifas impostas por Donald Trump, que afetaram a empresa. A situação foi resolvida em fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas pelo presidente americano.
Nesse contexto, durante a Brazil Conference, Neto destacou a importância da conexão da Embraer com os EUA, onde a empresa possui mais de US$ 3 bilhões em ativos e 2,5 mil funcionários diretos.
Ele mencionou que, nos próximos cinco anos, a Embraer planeja comprar US$ 21 bilhões em equipamentos dos EUA e exportar US$ 13 bilhões, resultando em um superávit de US$ 8 bilhões.
Apesar dos impactos financeiros das tarifas, Neto não prevê efeitos da guerra entre os EUA e o Irã nos resultados da empresa, mas vê oportunidades na área de defesa, especialmente para o cargueiro KC-390.
Ele também enfatizou a necessidade de apoio governamental e continuidade para o desenvolvimento de empresas brasileiras competitivas globalmente.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Cambridge (EUA) – À frente da Embraer desde 2019, Francisco Gomes Neto perdeu a conta de quantas vezes viajou para os Estados Unidos, mais especificamente, Washington, em 2025. O motivo? As extensas negociações sobre o tarifaço imposto por Donald Trump, que trouxeram turbulências à companhia.
O impasse foi resolvido em fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas por Trump. Mas as horas de voo gastas pelo CEO voltaram à tona neste sábado, 28 de março, quando ele deu a partida na edição 2026 da Brazil Conference, realizada em Cambridge e Boston.
“No ano passado, eu virei o Chief Tariff Officer da Embraer”, brincou Neto, no painel de abertura do evento. “Estamos equilibrados agora com os concorrentes e acho que isso está bem resolvido. Mas há vários processos em andamento e estamos monitorando para evitar o risco de um retorno às tarifas.”
O executivo destacou alguns dos argumentos que colocou à mesa para ressaltar a conexão da Embraer com os Estados Unidos, onde a empresa desembarcou há 46 anos e mantém mais de US$ 3 bilhões em ativos, além de um quadro de funcionários diretos superior a 2,5 mil profissionais, boa parte deles, local.
“Fora essas 2,5 mil pessoas, nós sustentamos outros 10 mil profissionais”, afirmou, em uma referência aos quadros de fornecedores, dado que cerca de 40% dos equipamentos embarcados nos aviões da companhia são americanos.
“Fizemos uma conta e, nos próximos cinco anos, no nosso plano de crescimento, vamos comprar US$ 21 bilhões dos EUA em equipamentos e vamos exportar US$ 13 bilhões”, disse. “Então, em cinco anos, será um superávit de US$ 8 bilhões”.
Ele reforçou essa conta com outros números. Hoje, das entregas da Embraer, 40% dos aviões comerciais e 65% dos executivos são para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, há cerca de mil aviões da fabricante em operação no país, que, anualmente, transportam cerca de 100 milhões de passageiros.
No início do mês, ao divulgar seu balanço do quarto trimestre e do ano consolidado de 2025, a Embraer reportou, porém, indicadores que traduzem o impacto das tarifas no seu balanço. De US$ 27 milhões, entre outubro e dezembro, e de US$ 54 milhões no ano.
Na trilha dessas tarifas, que entraram em vigor em abril de 2024, a fabricante informou ter desembolsado um total de US$ 80 milhões, dos quais, cerca de 85% estavam ligados à divisão de aviação executiva e, o restante, à unidade de serviços e suporte.
Já em um outro roteiro mais recente, que também passa pelos Estados Unidos, Neto disse não ver, a princípio, impactos da guerra envolvendo o país e o Irã para os resultados da Embraer. Mas observou que a empresa está monitorando alguns fornecedores na região.
Em contrapartida, o CEO destacou que esse cenário de guerra, não restrito ao conflito no Oriente Médio e ao curto prazo, abre oportunidades na unidade de negócios de defesa. Em particular, para o cargueiro militar KC-390, que, desde o seu lançamento, em 2019, já acumula cerca de 50 unidades vendidas.
“Esse aumento de budget dos países para reforçar a defesa, para o KC-390, é positivo”, afirmou. “Hoje, isso está muito concentrado na Europa e na Coreia do Sul. Mas temos grandes oportunidades como Índia e EUA.”
Neto reservou espaço ainda para falar sobre as eleições presidenciais deste ano. Ele ressaltou a necessidade de a Embraer seguir tendo o apoio do governo, seja qual for o vencedor. Mas disse não ver grandes impactos do cenário macro para a companhia.
Já num plano mais amplo, quando questionado sobre a possibilidade de o Brasil produzir companhias como a Embraer – capaz de fazer frente aos seus pares globais – em outros setores, Neto destacou que o País tem mercado e bons talentos. Mas fez uma ressalva:
“O que falta é continuidade”, afirmou. “E, talvez, ambição tecnológica dos líderes dos setores público e privado, que pensem em décadas e não em ciclos curtos”.
Fonte ==> NEOFEED