Inter leva o banco para o “laboratório” e abre hub para tecnologias emergentes

Guilherme Ximenes, CIO do Inter

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Controlado pela família Menin e um dos pioneiros entre os bancos digitais no Brasil, com operações nos EUA e Argentina, o Inter está lançando o Inter Science, um hub de pesquisa focado em computação quântica, inteligência artificial e blockchain.

O objetivo é garantir que o banco não perca as próximas inovações tecnológicas, mantendo uma conexão entre a academia, especialmente através de parcerias com a UFMG, e as aplicações desses recursos em aplicações na ponta das suas operações.

O hub conta com uma equipe de 20 pessoas e utiliza dados de 43 milhões de clientes para desenvolver soluções práticas. Os projetos em andamento incluem a otimização de serviços como o Pix e a personalização de ofertas aos clientes.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Controlado pela família Menin, o Inter foi um dos pioneiros entre os bancos digitais no Brasil. E, após consolidar seu modelo no País, expandiu suas operações para os Estados Unidos – o que incluiu a migração da sua listagem principal para a Nasdaq, em 2022 – e, mais recentemente, para a Argentina.

A pegada tecnológica foi essencial nessa caminhada. E está no centro de uma nova iniciativa que ganha agora status oficial e que dialoga diretamente com os próximos passos dessa jornada: o Inter Science, hub de pesquisa avançada do banco focado em computação quântica, inteligência artificial e blockchain.

“Eu brinco que o Inter é uma empresa de tecnologia que, por acaso, tem um banco. Nós surfamos lá atrás a onda da nuvem, do digital, do mobile first”, diz Guilherme Ximenes, CIO do Inter, ao NeoFeed. “E o papel do Inter Science é garantir que a gente não perca as próximas ondas e esse DNA tecnológico.”

O novo hub começou a ser tirado do papel em 2024 e tem origem nas experimentações da área de ativos digitais do Inter, comandada por Bruno Grossi. Especialmente, a partir de uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na área de computação quântica.

“Foi aí que começamos a atrair PhDs e pesquisadores para dentro do Inter e a montar essa estrutura”, diz Grossi, head de ativos digitais do Inter. “Muitas das tecnologias nascem na academia e precisamos estar próximos das universidades para antecipar a infraestrutura financeira do futuro.”

A tese do Inter Science vai muito além, no entanto, de um simples tubo de ensaio desconectado do dia a dia do Inter. O plano é sair na dianteira de tecnologias tanto de curto como de longo prazo, fazendo uma ponte com o que está sendo testado na academia e as aplicações do banco na ponta.

“Não é só ficar fechado no laboratório, trabalhando com dados que não são reais. A ideia é entender o que podemos rapidamente embutir nos produtos que os clientes estão usando”, diz Ximenes. “Quando uma tecnologia chegar no momento de aplicação na vida real, não vamos estar na estaca zero.”

O hub nasce com uma estrutura própria de pouco mais de 20 pessoas, distribuídas entre as operações do Inter e as de parceiros como a UFMG. O material à disposição desse “laboratório”, no entanto, é bem mais amplo. A começar pelos dados gerados nas transações de 43 milhões de clientes do banco.

Apesar de o projeto ainda estar em seus passos iniciais, já há alguns exemplos do que está sendo feito. Um deles envolve a área de inteligência artificial (IA), onde o Inter Science está desenvolvendo o projeto CodeEvolve.

A iniciativa parte de grandes modelos de linguagem de IA – os chamados LLMs – para criar um conjunto de agentes capazes de identificar e aprimorar os códigos mais indicados para resolver um determinado problema – do uso de memória ao tempo de execução de uma aplicação.

“Você tem, por exemplo, serviços de alta volumetria, como o Pix. A ferramenta vai otimizar a performance dessa aplicação”, diz Ximenes. “Isso se estende a outros serviços, como a análise de crédito, onde ela vai aprimorar os recursos matemáticos e acelerar a resposta do modelo.”

Outro exemplo citado está nas ferramentas de antifraude relacionadas ao Pix, com a análise de múltiplos fatores para definir o score daquela transação. “Com esse modelo, eu posso otimizar um serviço para custo, outro para performance, outro para precisão e por aí vai”, afirma Ximenes.

A criação de um modelo no qual o Inter possa se aprofundar no conhecimento de cada cliente e na personalização do que é ofertado a esses correntistas é mais um exemplo nessa esteira de IA. “Só o Inter tem esses dados. Nem a OpenAI ou qualquer outra empresa de IA pode usar”, diz o CIO.

Já no campo do blockchain, um dos projetos inclui converter e liquidar criptomoedas de forma automática e mais eficiente. Outra frente no radar é o uso desses recursos no backoffice, com o plano de trazer mais eficiência e simplificação no core bancário do Inter.

Guilherme Ximenes, CIO do Inter

Enquanto as áreas de IA e blockchain já estão em produção, em computação quântica, os trabalhos ainda se restringem mais ao campo da teoria. Principalmente em campos como quantum machine learning e na exploração de recursos que possam trazer avanços em diferentes áreas da operação.

“Estamos estudando, por exemplo, novos paradigmas para ter mecanismos de criptografia mais avançados”, afirma Grossi. “E também para fazer simulações mais complexas, em pontas como a análise de risco.”

“Lá fora” e “dentro de casa”

Como é próprio de estruturas dessa natureza, além da UFMG, o hub tem parcerias com instituições como a Oxford Quantum Computing, do Reino Unido, e empresas como a AWS, da Amazon. E já negocia novas associações, especialmente no exterior. Uma delas, com a Universidade de Miami.

Ximenes ressalta que tanto essas parcerias como a tese por trás do Inter Science têm uma forte conexão justamente com a estratégia de expansão do Inter para além do mercado brasileiro.

“A indústria financeira brasileira está à frente da americana. Mas, por outro lado, nos EUA, você tem as big techs, que estão criando tecnologia de ponta o tempo todo”, diz o CIO. “Então, o plano é começar a localizar nossa tecnologia lá, levá-la para os EUA e conectá-la com essas grandes empresas.”

Ao mesmo tempo, ele entende que há um trabalho a ser feito dentro de casa. Ou seja, de reforçar o diálogo do Inter Science com as demais áreas do Inter e a comunicação do que está sendo feito pelo hub.

“Temos comitês quinzenais e mensais com as áreas para mostrar o que está vindo por aí, o que já estamos fazendo e entender quais problemas eles têm que podemos resolver com o que estamos estudando”, diz Ximenes. “Estamos dando corda. Olhando para frente, para fora e para dentro.”



Fonte ==> NEOFEED

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