Como um garoto do interior do Rio Grande do Sul rompeu a elite do golfe

Como um garoto do interior do Rio Grande do Sul rompeu a elite do golfe

Num país em que o golfe é um esporte sobretudo de empresários, famílias de alta renda e executivos do mercado financeiro, a modalidade entrou na vida de Andrey Xavier, de uma família humilde no interior do Rio Grande do Sul, por acaso.

Mas o talento o fez um dos maiores ganhadores do esporte como amador e atraiu a atenção da FLG, um hub de real estate e estruturação de capital, que passou a ser seu patrocinador e o colocou no circuito profissional.

Neste fim de semana, o atleta de 25 anos está competindo o seu primeiro torneio como profissional, o Gira de Golf Professional Mexicana em Puebla, no México. E, em 24 de março, estará nos Estados Unidos para o GPA Tour AM Q-School. Logo em seguida, segue para Curitiba para o 76º Aberto de golfe.

A estratégia para o ano envolve ampliar a presença internacional, somar pontos no ranking mundial e ganhar experiência competitiva em campos de alto nível técnico.

“O golfe é a minha vida, mas jamais imaginei que poderia ser profissional e viver bem disso. Estou ansioso para agora competir não só pelos troféus, mas por dinheiro nessa nova etapa da minha carreira”, diz Andrey Xavier, em entrevista ao NeoFeed.

Ex-líder do ranking nacional e 48º colocado no ranking mundial amador, Andrey acumulou muitos títulos, como o Junior Orange Bowl, em Miami, em 2019, o tricampeonato brasileiro amador e a vitória no Grama Pro Invitational 2025.

Até o momento da virada de chave, todo a carreira de Andrey foi bancada por ele, que sobrevivia com ajuda de custos de clubes onde praticava e bolsa atleta do governo.

Nesse meio tempo, ele atravessou perdas familiares, interrupções no esporte e sucessivas retomadas. Agora, ele terá estrutura para tentar viver do golfe competitivo com o agenciamento da FLG Sports, braço esportivo da plataforma FLG.

“Decidimos não só patrocinar, mas agenciar um atleta, que tinha uma história muito forte de perseverança e inclusão. Vamos dar toda a estrutura para os calendários internacionais. E, com ele, lançamos a FLG Sports”, diz Fernando Guimarães, fundador e head de real estate da FLG.

Ele começou no golfe aos 8 anos, num projeto social chamado Boa Bola, em Santana do Livramento (RS), cidade na fronteira com o Uruguai. O programa, criado para crianças carentes do bairro vizinho ao clube, oferecia aulas de golfe e tênis para quem não teria, em condições normais, acesso àquelas modalidades, como ele.

A mãe era dona de casa e cuidava dele e da irmã, enquanto o pai sustentava a família com o trabalho em um frigorífico de aves. O clube ficava perto de casa e amigos seus já frequentavam o projeto. Ele jogava futebol, mas começou a dividir a rotina entre as modalidades oferecidas ali e, aos poucos, foi ficando e gostando.

“Antes, eu gostava de jogar futebol, mas me convenceram a ir e eu fui tomando gosto pelo golfe. É um esporte que depende só de você, é uma concentração total. E eu fui vendo que tinha jeito para isso”, conta Andrey.

“Momento ruim”

Ele foi progredindo conforme crescia, mas o avanço foi interrompido de forma brusca pela morte da mãe, quando ele tinha entre 14 e 15 anos.

Foi esse episódio que desorganizou sua vida, o tirou temporariamente do golfe e o levou a uma nova mudança. Seu tio materno o chamou para morar com ele em Porto Alegre e passou a desempenhar um papel decisivo na reconstrução da carreira.

“Eu estava em um momento muito ruim e meu tio me adotou e disse que eu não podia parar o golfe, que eu era bom e minha mãe iria se orgulhar de mim. E na cidade grande eu tive melhores oportunidades”, diz.

Andrey começou no golfe aos 8 anos, num projeto social chamado Boa Bola, em Santana do Livramento (RS). Agora, quer levar o esporte para o resto do Brasil (Foto: Divulgação)

Com a nova parceria da FLG Sports, , Andrey terá estrutura para tentar viver do golfe competitivo, participando de competições internacionais e nacionais (Foto: Divulgação)

Após ficar um ano sem competir durante a pandemia de covid-19, Quando retornou, Andrey foi direto ao Amador Brasileiro, principal torneio nacional da categoria, e venceu (Foto: Divulgação)

Andrey passou a treinar no Belém Novo Golf Club, onde encontrou uma estrutura mais voltada ao alto rendimento. Foi nessa fase que surgiu uma de suas maiores conquistas no amadorismo: o título do Junior Orange Bowl, em Miami, torneio juvenil de enorme prestígio internacional, vencido por ele aos 18 anos.

Nem assim a carreira seguiu em linha contínua. Durante a pandemia, Andrey voltou para o interior e parou novamente de jogar. Ficou um ano sem competir. Quando retornou, foi direto ao Amador Brasileiro, principal torneio nacional da categoria, e venceu.

Aquele resultado, nas palavras dele, funcionou quase como um chamado. Depois de um longo período parado, ganhar o principal torneio amador do País serviu como prova de que não fazia sentido abandonar o esporte.

“Eu falei: tem alguma coisa aqui que eu não posso parar de jogar golfe, porque não é normal eu ficar parado e ganhar o maior torneio do Brasil”, afirma.

A vitória reabriu o caminho, mas ainda não resolvia o principal problema: como transformar desempenho em carreira sustentável. Foi só mais adiante, já em Brasília, que essa equação começou a mudar.

A capital entrou na história quando Renato Silva, profissional que conhecia o potencial de Andrey, o chamou para retomar a carreira de forma gradual. Ele aceitou o convite, mudou-se para Brasília já com esposa e duas filhas e passou a treinar em nova rotina. O retorno ao circuito veio acompanhado de resultados, até que ele recuperou a liderança do ranking brasileiro amador.

Mesmo assim, a profissionalização ainda não era uma consequência automática. No golfe, virar profissional significa mais do que preencher um requisito burocrático. É preciso ter currículo esportivo, experiência competitiva e, principalmente, estrutura para bancar a logística de torneios, viagens, inscrições, treinamento e adaptação a um calendário mais pesado e mais caro.

Até que Andrey passou a trabalhar com um coach venezuelano, com quem começou a amadurecer a ideia de que o ciclo amador estava chegando ao limite. O plano era disputar o Latin America Amateur Championship, o LAC, um dos torneios mais importantes da América Latina, e, depois disso, dar o passo seguinte.

No meio desse processo, por intermédio do coach, ele conheceu Fernando, ligado à FLG, que se tornaria patrocinador e empresário.

Por trás da estreia de Andrey Xavier no circuito profissional, a FLG está colocando em campo uma aposta que vai além do apoio a um atleta promissor. A criação da FLG Sports marca a entrada formal do grupo no universo esportivo, que tem como objetivo a extensão de uma estratégia maior de posicionamento de marca, relacionamento com investidores-chave e geração de negócios. Usando a modalidade para se aproximar de empresários, investidores e famílias de alta renda — público do golfe e alvo de seus fundos e projetos imobiliários.

“É um mundo de negócios sem crachá”, diz Fernando Guimarães. “Jogando golfe com Andrey ou acompanhando os seus torneios conosco temos networking com esses investidores, que não só geram captação para os fundos, mas originação de negócios.”

Fundada por Fernando Guimarães, a FLG construiu sua trajetória no mercado imobiliário e na estruturação de capital. A companhia opera de forma verticalizada, passando pela originação de terrenos, desenvolvimento de projetos logísticos — inclusive em modelos built-to-suit —, gestão de ativos e reciclagem de portfólio via mercado de capitais.

Com faturamento consolidado de R$ 78 milhões, a companhia quer replicar essa estratégia outros esportes ligados a nichos de alta renda, como o polo e o tênis.

Segundo Guimarães, a iniciativa nasceu como uma estratégia de posicionamento, mas já começou a atrair outras marcas interessadas em patrocinar Andrey e o projeto. Para o atleta, essa nova fase também tem outro objetivo: ajudar a tornar o golfe mais conhecido no Brasil:  “Meu sonho é levar o golfe para mais gente no Brasil e fazer com que ele seja um esporte mais conhecido”.



Fonte ==> NEOFEED

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