ARTIGO: Os “bobos” do venture capital e a ousadia de investir no improvável

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Nos Estados Unidos, mais de 80% do valor de mercado da bolsa é gerado por empresas de VC, enquanto em Israel, o programa Yozma transformou a economia local.

O Brasil possui uma indústria de venture capital robusta, com retornos medianos superiores aos dos americanos. A crescente ênfase em inteligência artificial (IA) promete volatilidade, mas também oportunidades significativas.

O texto conclui que o Brasil tem empreendedores de alta qualidade, e a crença em seu potencial é fundamental para o sucesso futuro.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Recentemente, uma reportagem relatando uma disputa interna em uma companhia impulsionada por venture capital cita o fundador sugerindo que fez milagres ao levantar dinheiro dos “bobos” de VC. O lamentável comentário explora a maior virtude da indústria e sua maior fragilidade: a confiança como bússola.

A confiança no improvável permite investimentos em uma empresa de foguetes cuja ambição era colonizar Marte e que hoje está redefinindo as telecomunicações, ou em um laboratório que buscava desenvolver inteligência computacional acima da humana – algo que parece tão corriqueiro atualmente.

Talvez valha a reflexão sobre o conceito principal do venture capital: quando uma oportunidade parece óbvia, ela parece óbvia para muitos, E a chance de grandes retornos é substituída pelo medo de ficar fora, um sentimento perigoso. Por isso, chegar cedo e acreditar no que parece improvável são essenciais.

A execução do que parece improvável gera resultados que parecem impossíveis. Quem diria, há dez anos, que o Nubank, uma startup de cartões de crédito, iria brigar de igual para igual com gigantes do setor bancário brasileiro, como o Itaú, ou que o Mercado Livre seria uma das companhias mais valiosas da região enquanto o GPA luta pela sobrevivência? Loucos, ou bobos, fizeram essas apostas, que valorizaram mais de 30 vezes no período.

Em Israel, o programa Yozma de impulsão da indústria de VC, lançado pelo governo em 1993, catalisou o ecossistema. Hoje, tech representa 20% do PIB, elevando o país de uma posição mediana nos anos 1990 para um dos líderes globais em PIB per capita.

No Brasil, temos a sorte de uma indústria de venture capital bem formada, com profissionais excelentes. Como em grandes famílias, grandes portfólios trazem felicidades e desafios. Esse episódio não é o primeiro nem o último.

Os pioneiros nessa indústria trouxeram visibilidade para o país e investimentos em soluções para grandes problemas locais: da inclusão financeira às possibilidades de emprego na gig economy – que virou a maior fonte de empregos – e à forte expansão do empreendedorismo.

Dados compilados pela Spectra para fundos com atuação no Brasil (apesar de amostra limitada) mostram retornos medianos superiores à mediana dos Estados Unidos, segundo dados da carta da gestora. IPOs de empresas impulsionadas por VC devem liderar a próxima janela de liquidez no Brasil.

Com a forte expansão dos investimentos em IA nos últimos anos, a única convicção que temos é que viveremos anos de muita volatilidade. Por um lado, o grande sucesso da IA coloca em dúvida indústrias inteiras: da prática médica e do software à indústria financeira.

Por outro lado, pouco sucesso seria punitivo para os grandes investimentos feitos nesse espaço. Serão quase US$ 700 bilhões de investimentos em tecnologia esperados para este ano pelos hyperscalers (Amazon, Google, Meta, Microsoft e Oracle), constituindo o maior investimento da história em um único programa — equivalente a três vezes o investimento no programa Apollo que levou o homem à Lua, ajustado pelo percentual do PIB americano daquela época e de agora. Os dois cenários, sucesso e insucesso, geram volatilidade.

Impulsionadas por IA, diversas empresas no nosso portfólio crescem mais rápido do que o Mercado Livre crescia em sua fase de hipercrescimento, algo impensável anteriormente e que nos deixa confiantes sobre o impacto transformador da tecnologia.

Qualidade brasileira

Não professamos o futuro – até porque o macro tende a impactar menos o dia a dia do VC -, mas traçamos cenários. Um deles é que a IA leve a grandes saltos de produtividade, gerando um colapso da inflação e, consequentemente, das taxas de juros mundiais e locais.

Países com maior débito de tecnologia e engenharia, mas com economias altamente digitalizadas como o Brasil, podem ser grandes beneficiários. De repente, décadas de subinvestimento em matemática, ciências da computação e engenharia ficarão irrelevantes.

Nesse cenário, ativos longos, como venture capital – onde as startups são as melhores candidatas para se beneficiarem da IA – ou até mesmo aquele Renda+ 2065 com IPCA+7%, tornar-se-ão óbvios. Nessa hora, a oportunidade de grandes retornos terá se exaurido e inflação + 7% parecerá um sonho distante.

Os empreendedores no Brasil são de excelente qualidade. Enquanto os fundos tomam risco diversificado em muitas companhias, os empreendedores tomam risco altamente concentrado e dedicam suas carreiras a construir esses sonhos, e temos orgulho de apoiá-los.

Temos uma nova geração de empreendedores, mais preparada, que entende que a falha também pode fazer parte da jornada e não precisa de atalhos questionáveis.

Em VC, temos no Brasil talvez uma das menores taxas de fraude do mundo, até em comparação com os Estados Unidos e muito melhor do que no Sudeste da Ásia e outros emergentes.

Talvez a “bobagem” seja não acreditar que podemos ter grandes empreendedores no Brasil, até que fique óbvio. Certamente ficaríamos felizes de estar na companhia dos “bobos” que viram oportunidades onde outros viram o improvável.



Fonte ==> NEOFEED

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